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Além das cotas para mulheres: o impacto feminino nas organizações

Carreira 462

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Por sua natureza, as mulheres expõem empresas a menos riscos do que homens quando ocupam posições de comando. Seja por causa da maternidade ou da sensibilidade mais aguçada, executivas são menos afeitas a incorrerem no equívoco de buscarem resultados a qualquer custo, seja desumanizando pessoas ou praticando fraudes. Números explicitam isso.

Pesquisa realizada pela HSD Consultoria em RH avaliou o perfil comportamental de 3.500 executivos de médias e grandes empresas entre 2014 e 2017. Verificou-se que um em cada quatro homens tem desvio de caráter. Já entre mulheres, a proporção cai para uma a cada oito. Do total pesquisado, 27% dos participantes demonstram desvio de conduta que resultam em potenciais riscos para as empresas onde atuam.

Características femininas mudam o perfil de gestão de empresas. As corporações, no entanto, relutam em contratar mulheres para cargos importantes. Dos 3.500 profissionais que foram avaliados no estudo, apenas 26% eram mulheres. Outra pesquisa, realizada pela Revista RI em agosto revelou que, das 64 companhias que integram o Ibovespa, apenas 36 contam com presenças femininas em seus conselhos e, mesmo assim, de forma modesta: 25 têm apenas uma; sete, duas, e quatro, três.

Algumas iniciativas controversas tentam reverter este quadro. Uma delas é o Projeto de Lei 7179/2017, que prevê cotas para mulheres nos conselhos de empresas públicas e mistas. Uma proposta encabeçada pela consultoria Enlight prevê que as empresas do Novo Mercado da B3 se comprometam, de forma voluntária, a zerar o número de Conselhos sem mulheres até 2020 e a aumentar a presença feminina para 30% das cadeiras até 2025. É uma estratégia similar à adotada no Reino Unido, onde as mulheres ocupam 29% dos conselhos das companhias que compõem a carteira do índice FTSE 100, da Bolsa de Valores de Londres.

Iniciativas assim se assemelham a programas de cotas, o que não resolve a questão. É a visão dos empresários que deve mudar. Mais do que impor a presença feminina por cotas, é preciso reconhecer suas características na liderança. As mulheres têm uma força enorme, são multitarefas por natureza, observadoras, têm facilidade para criar empatia, conseguem trazer seus valores para o seu processo decisório e buscam fazer o que é o certo, dentro de uma perspectiva de retidão, talvez até porque são chamadas o tempo todo para serem exemplo. Além disso, não se pode esquecer que os atributos femininos são complementares aos masculinos. Questiono o sistema de cotas, porque não é necessário. Basta que as mulheres sejam vistas como realmente são e se reconheça o quanto podem contribuir para as organizações.

Por Susana Falchi (capa), CEO da HSD Consultoria em RH