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A flexibilização das empresas que promovem a igualdade de gênero

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A desigualdade de gênero no mundo corporativo é um problema já conhecido e pesquisas recentes mostram que, apesar da mudança de mindset ser uma tendência natural no meio, a situação ainda é bastante grave. A discrepância salarial, a pouca representatividade das mulheres em cargos de alta diretoria e as dificuldades que enfrentam por causa da licença-maternidade se contrapõem a estudos que comprovam os benefícios da colaboração feminina para uma empresa.

De acordo com dados de 2018 da consultoria Mckinsey, mulheres em cargos de liderança aumentam em 21% as chances de uma organização ter desempenho financeiro acima da média. Já o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) aponta que a promoção da igualdade entre homens e mulheres poderia somar ao Produto Interno Bruto (PIB) global ao menos US$ 28 trilhões.

Apesar disso, a mesma pesquisa mostra que as empresas com maior índice de diversidade apresentam apenas 10% de mulheres no seu corpo executivo. No Brasil, os números caem para 7,7%, de acordo com dados da Deloitte. Os indicadores só pioram se o recorte se afunilar para os cargos de chefia. Segundo o Fórum Econômico Mundial (WEF) deste ano, a paridade de gênero nos cargos de liderança só deverá ser alcançada nos próximos 117 anos. 

Pensando nesse problema e enxergando-o como uma estratégia para alavancar organizações que pensam à frente, novas empresas de recrutamento e segmentos afins investem nesta pauta e nos benefícios de ações voltadas para a igualdade de gênero no meio corporativo. Manuela Borges, da Be Flexy, por exemplo, possui um trabalho focado na questão da diversidade e da inclusão.

Nosso trabalho nasceu da necessidade, da urgência e da vontade de transformação feminina nas estruturas das relações no mercado de trabalho. Acredito que todo o profissional tem características positivas no mundo dos negócios e as mulheres tendem a ter uma excelente gestão de relacionamento, mais facilidade para atividades multitarefas e sensibilidade. O que é mais importante na diversidade é ter diferentes gêneros, raças, idades nas empresas com características positivas e complementares, o que propicia uma vantagem competitiva e uma alavanca essencial de crescimento”, conta Manuela Borges.

Segundo ela, as soluções para a questão de gênero são jornadas de trabalhos mais flexíveis e revisão de políticas e práticas, como por exemplo estabelecer no mínimo a mesma quantidade de mulheres e homens num processo seletivo, treinamento de vieses inconscientes, mentorias para mulheres, engajamento da alta liderança, promoção de ações de desenvolvimento e acompanhamento de indicadores. 

Manuela explica que as mulheres buscam integrar a vida pessoal e a profissional e, para isso, a flexibilidade é um dos pontos mais valorizados, tendo se tornado uma tendência mundial. “Com a reforma trabalhista, temos mais opções de jornadas flexíveis, como teletrabalho (home office ou remoto), jornada de tempo parcial ou mais flexibilidade nos horários. Isso gera impactos positivos para a empresa, como aumento da satisfação, engajamento, produtividade, redução de turnover e maior qualidade de vida no ambiente profissional”.

Ela diz que para implantar um modelo mais flexível na empresa, o primeiro passo é fazer um diagnóstico para mapear pontos críticos, como definir quais áreas e atividades podem ser realizadas em jornadas flexíveis, mapear as ferramentas remotas utilizadas, quais são as expectativas dos colaboradores e da alta direção da empresa, entre outros.

“Com isso, é possível entender os principais gaps e elaborar um plano de ação com palestras de conscientização, definição de políticas, ferramentas, modelos de gestão por resultado e uma comunicação clara e efetiva durante todo o processo. Além dos gaps das empresas, é importante analisar as habilidades e competências dos colaboradores necessárias para uma jornada flexível. É preciso, por exemplo, que todos entendam que há responsabilidades e compromissos, mesmo fora da empresa”, concluiu.