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A Difícil Aceitação Do Poder Feminino

Coluna 3221

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Anos se passaram da época em que a mulher era considerada um objeto, uma prenda, mas ainda, por incrível que pareça, é um grande desafio para a mulher ser aceita como alguém que tenha sucesso por suas competências.

Posso dizer isso sem medo de errar, uma vez que há mais de 28 anos trabalho com líderes, muitas das quais, mulheres. Por outro lado, eu mesma sou sujeito das afirmações que farei a seguir: é difícil para esse mundo masculino, aceitar o sucesso que as mulheres conseguem.

Quando uma mulher consegue se manter sozinha, graças ao seu trabalho, sem precisar de nenhum homem para sustentá-la, é, por vezes, alvo de todo tipo de posturas que jamais existiriam se fosse um homem. Vou contar a vocês uma experiência de uma amiga: é uma dessas mulheres bem sucedidas, que se mantem sozinha e mora em um condomínio de luxo na cidade de São Paulo, onde os outros moradores são famílias onde os homens têm seu papel de maridos provedores. Ela é submetida invariavelmente a questionamentos sobre a sua empresa, seu trabalho e é pressionada a arcar com despesas adicionais injustas, mas acaba cedendo para não ter que entrar na justiça, única possibilidade de vencer essas situações, uma vez que, por não ser homem, acaba não sendo respeitada “por sua força”.

Mulheres bem sucedidas, por vezes são vítimas do próprio companheiro que, por ciúmes as atacam e as menosprezam na frente de familiares e amigos. Algumas têm o privilégio de ter maridos maravilhosos, companheiros que compartilham suas vitórias e vibram com seu sucesso, mas, pelo menos eu, conheço uma minoria que disfruta dessa benesse.

Convivo com mulheres que se levantam de madrugada para deixar a casa em ordem, arrumar os filhos para irem à escola e deixar a empregada direcionada aos afazeres. Tudo isso antecede o início do dia profissional, quando assumem suas posições de comando nas diversas empresas, onde, invariavelmente  são cobradas fortemente por resultados, comprometimento e desempenho.

Essas mulheres precisam ser muito melhores do que qualquer homem, são constantemente desafiadas por seus pares, independentemente se homens ou mulheres. Os homens controlam e as questionam para que mostrem até que ponto são competentes. As mulheres, em relação à outra mulher no poder, por vezes duvidam da sua real competência e comentários como – Será que é amiga do chefe? Como será que chegou até esse cargo? É “filhinha de papai”? Garanto que teve tudo do melhor para estar onde está e se vestir como se veste!  Ou seja, aceitar o poder feminino é tanto difícil para os homens como para as próprias mulheres.

O pior é que nem sempre, a própria mulher, líder, poderosa, reconhece seu real valor e é capaz de se boicotar, até chegar ao ponto de provar para todos que não é assim tão genial! É o caso de executivas que começam a duvidar de seu poder e competência de uma tal forma que acabam por provocar inconsciente seu desligamento.

Por tudo isso, não há nada mais importante para nós, mulheres, do que um imenso trabalho pessoal de autoconhecimento, para colocarmos nosso valor e poder onde devem estar. Precisamos iniciar nosso reconhecimento a partir de nós mesmas, reconhecer posturas que nos fragilizam e nos posicionarmos de uma maneira firme, assertiva e consciente perante posturas desrespeitosas e desqualificadoras.

Hoje e já há muito tempo que não há profissões onde a mulher não se destaque. O motivo é muito simples: nós nos dedicamos muito mais a tudo que queremos, colocamos foco onde decidimos chegar, desenvolvemos nossas competências e fazemos a diferença porque conseguimos unir foco e orientação a resultados, com ternura, compaixão e amor. Trabalhamos duro para isso. Somos as que mais estudam, as que mais se desenvolvem, as que mais investem em psicanálise, terapia e, com certeza, no caminho espiritual.

E além de tudo isso, ainda nos é exigido um corpo saudável, bonito, sensual e atraente. “Bora” conseguir tempo para a academia, cabeleireiro, manicure, massagista, depiladora, nutróloga, entre outras tantas especialidades... ah, ia esquecendo o botox.... Por outro lado, se fôssemos homens, nada disso seria exigido. Houve até um tempo em que o homem com barriga era considerado “sexy” e os carecas os mais desejados.

Essa mulher que sobrevive hoje, ainda precisa se deparar com a velhice dos seus pais e, como sinal de amor e retribuição, passa também a cuidar ou a gerenciar todo processo de envelhecimento dos seus progenitores, mas, claro, entre uma e outra ligação do seu incansável celular.

Se engravida sem ser casada ou, se depois de casar, se separa, os filhos são sua responsabilidade prioritária. E, mesmo que não se separe, sempre sentirá a eterna culpa de não ter sido a melhor mãe do mundo porque teve que trabalhar e, quem sabe, todos os possíveis problemas dos seus filhos serão derivados da sua ausência como mãe.

Essa mulher passa por dores, perdas, amores, dissabores, sem ter o direito de demonstrar muita emoção, uma vez que pode ser desacreditada como profissional ou vítima de deboches e discriminações. Assim, levanta a cabeça e continua sua missão de mãe, mulher, filha, irmã, vizinha, líder, entre outras.

A saída para essa mulher, é, acima de tudo, trabalhar sua autoconsciência, sua autoestima  e seu autoconhecimento, potencializando seu poder feminino, seu poder de “ser”. E, assim,  reconhecer-se, torcendo para que chegue logo o dia em que seu sucesso não incomode tanto os outros, uma vez que o sucesso dos outros não a incomoda nem um pouco.

Por Fátima Motta, Profa. Dra. Fátima Motta, Sócia-Diretora da FM Consultores. É uma das colunistas do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação

O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista.

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