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A crise dos coworkings em meio aos impactos da COVID-19

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Os últimos anos foram de terreno fértil para o crescimento dos coworking spaces por todo o Brasil. A expansão de grandes redes internacionais e a criação de redes brasileiras, no entanto, vem sofrendo um forte impacto com a pandemia do novo coronavírus, o que obrigou muitos espaços a fecharem as suas portas e seus frequentadores a adotaram o sistema de home office. Diante desse cenário, o Instituto Nexxera e o Studio Sapienza realizaram um estudo que mostra e identifica os impactos da crise da COVID-19 nos coworking spaces brasileiros, além das estratégias que estão sendo utilizadas por gestores destes ambientes de trabalho. 

pesquisa revelou que houve uma diminuição do faturamento em 92% dos coworking spaces brasileiros. 62% tiveram perdas entre 25% a 75% do faturamento em apenas mês de crise. Além disso, dos entrevistados, 30% afirmaram que buscarão auxílio junto a bancos e financeiras ou já utilizaram de seu capital próprio para lidar com tais perdas. Outros 23% relataram que utilizarão dos recursos oriundos dos sócios, enquanto 10% contarão com ajuda da família, 5% de investidores e 2% fecharão o negócio.

“Essa pesquisa mostra o impacto gerado pela crise do coronavírus e como isso vai resultar em espaços de trabalho como os coworkings spaces. O pânico de ficar fechado visto que isto acarreta na não utilização dos espaços físicos e na quebra de contratos dos usuários e empresas, requer alternativas dos gestores para a geração da sustentabilidade e manutenção de seus negócios” revela o Prof. Dr. Geraldo Campos, idealizador da pesquisa.

Para o professor, “muitos gestores já adotaram ações e alguns ainda estão buscando estratégias para o enfrentamento da crise, e com otimismo isso vai acabar gerando muitas oportunidades”. Os dados do levantamento revelam informações referentes aos impactos gerados no primeiro mês de fechamento dos coworking spaces.

Perfil dos coworking spaces brasileiros

Dos entrevistados, 43% dos coworking spaces oferecem serviços como: posições de trabalho em mesas fixas e compartilhadas, salas privativas, endereço fiscal, escritório virtual, locação de sala de reuniões e locação de espaço de eventos. 

Outro dado importante da pesquisa revela o tempo de existência dos coworkings. Mais de 51% possuem entre 1 a 5 anos, seguido de 28% entre 5 a 10 anos de existência e 5% há mais de 15 anos no mercado. Além disso, o estudo mostra que 49%  dos coworking pesquisados possuem de 1 a 50 coworkers, 28% até 100 coworkers e 23% até 200 coworkers.

Primeiro mês de crise da COVID-19

No primeiro mês de crise alguns serviços foram mais impactados: salas privativas, locação de salas de reunião, posições em mesas compartilhadas e locação de espaço de eventos estiveram na linha de frente do que mais enfrentaram dificuldades com a pandemia. Outros serviços como endereço fiscal, escritório virtual e atendimento telefônico personalizado foram menos impactados com a crise do COVID-19.

Já os em relação ao funcionamento dos coworkings, a pesquisa mostrou que 46% estão abertos com restrições, 34% estão totalmente fechados, 10% estão abertos em pleno funcionamento e outros 10% estão fechados com atendimento online.

Ações gerenciais para lidar com a pandemia

Uma das preocupações para o desenvolvimento de ações gerenciais na crise está em como os gestores tomam as suas decisões e quais são as maiores dificuldades para o gerenciamento neste período. Em relação às tomadas de decisões, 27% dos entrevistados as conduziram ao lado de sócios, 24% junto aos seus colaboradores; 17% com o apoio de outros gestores de coworking spaces e 15% junto a clientes.

pesquisa também revela que para 29% dos gestores de coworking as indefinições de manutenção da quarentena dificultam o gerenciamento. Para 21% a dificuldade de caixa também é um limitador do gerenciamento.

Retenção e captação de clientes: a crise que gera oportunidades

A retenção de clientes tem sido um dos maiores desafios dos gestores de coworking spaces durante a crise. Todos, de alguma forma, tiveram que negociar contratos. Dentre algumas estratégias de retenção as mais utilizadas foram: negociação de valores de mensalidades (71%); carência de mensalidades (38%); vouchers para utilização futura (30%); realização de eventos online (28%); e utilização de plataforma de rede de coworkers já existentes (15%).

Pensando em novas captações de clientes e futuros negócios as principais estratégias utilizadas são: redes sociais (92%); redes de contatos - networking (44%); marketing digital com impulsionamento (29%); ativação de listas de clientes antigos (23%); e inside sales e aplicativos de promoção de ambientes de trabalho (13%).

Atuação junto a colaboradores e fornecedores

Além da manutenção dos contratos de trabalho mais de 74% dos gestores adotaram junto os seus colaboradores o modelo de trabalho em home office. Dos entrevistados no primeiro mês de crise do coronavírus, 38% mantiveram os contratos de trabalho, 36% deram férias parciais para a equipe, 13% suspenderam temporariamente os contratos e apenas 4% realizaram demissões.

Outro ponto mostra que as negociações com fornecedores foram uma das principais ações realizadas no primeiro mês de COVID-19. A negociação de valores e a redução dos serviços foram as ações que mais aparecem com 29% e 22% dos coworking spaces, respectivamente.

Os gestores e sua visão para o pós-pandemia

Os gestores olham o futuro com otimismo. Dos entrevistados, 61% estimam que seus coworking spaces se recuperam ainda em 2020. Já 20% compreendem que podem crescer no pós-crise, enquanto 13% estimam a redução de tamanho. 4% irão fechar e somente 2% pensam em se recuperar apenas em 2021.

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