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A COVID-19 poderá mesmo promover ruptura nas relações profissionais?

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Com a adesão da quarentena no país e os alertas de prevenção e cuidados em relação à COVID-19 cada vez mais evidenciados, as empresas se viram diante do grande desafio de se adaptar à realidade atual, uma missão que pode ser determinante (no bom ou mal sentido) para sua imagem e sobrevivência.

A crise causada pelo novo coronavírus no Brasil, inclusive, trouxe significativos impactos na relação entre empregados e empregadores. Muitas organizadores precisaram (e continuando precisando) fazer valer de sua capacidade criativa e de adaptação para lidar com o problema da melhor forma possível. 

Estratégias como o home office, por exemplo, estão entre as alternativas mais adotadas para muitos negócios, assim como guias e medidas de prevenção para aquelas que não podem oferecer jornada 100% remota ou que estão entre os serviços essenciais. Já às empresas que pouco ou nunca deram a devida importância à saúde do colaborador, o momento exige reflexão. 

De acordo com o sócio-diretor da Picarelli Human Consulting, Vicente Picarelli, o novo coronavírus serve como um alerta para que as organizações entendam a importância da adoção de processos e práticas empáticos e humanizados. Empresas que adotaram o movimento #NãoDemita, por exemplo - criado por uma série de empresários, o movimento convoca empresas e parceiros a manter seus quadros de funcionários enquanto enfrentam os impactos da crise gerada pela pandemia de coronavírus no Brasil - estão recebendo menções extremamente positivas de clientes e usuários de redes sociais. Em contrapartida, há também casos como o de um famoso restaurante que está sendo duramente criticado (e até boicotado) após o dono declarar que não se deve parar o trabalho por conta de algumas mortes e também por ter demitido centenas de colaboradores.

“Há algum tempo que as palavras humanização e empatia aparecem como importantes nas relações dentro de uma organização, o coronavírus só acelerou essa importância e o que nós estamos vendo é que estes sentimentos afloraram na maioria das pessoas como uma força interior antes represada. A pandemia nos fez mais humanos, vulneráveis e dependentes e, ao perceber no outro está mesma condição, despertou na maioria de nós o verdadeiro sentido de empatia e humanização”, pontua Picarelli, que crê em uma ruptura nas relações profissionais mesmo após o final da pandemia. “Deste ponto de vista, as relações nos ambientes empresariais não serão mais as mesmas, e os empresários e líderes que não conseguiram aprender com este breve, mas profundo momento, estarão perdendo sua capacidade de influir e conectar pessoas em benefício de seus empreendimentos”, acrescenta.

Para Célia Lourenço, especialista em Recursos Humanos, “mesmo que você não acredite na gravidade da doença e tampouco invista em precaução por segurança ou real preocupação, mas somente por lucro e imagem, o importante é que você aja. A saúde e o bem-estar do colaborador são muito mais importantes do que intenções”. A especialista ressalta que o ser humano deve estar sempre no centro do negócio.

Ruptura para diversas áreas

Picarelli reforça o quanto a crise do coronavírus e os efeitos do isolamento podem provocar um verdadeiro colapso econômico. Segundo o especialista, a COVID-19 é crucial para redefinir tudo aquilo que pensávamos sobre o futuro do trabalho. “Se já era difícil conviver com a complexidade e incerteza antes da pandemia, agora ficou mais complicado ainda. As empresas precisarão revisar seu portfólio de produtos, estratégias e restabelecer os negócios com os seus tradicionais fornecedores e clientes sem saber se terá êxito em manter a mesma posição de mercado que antes. Concomitantemente, será necessário ajustar o capital de giro e o fluxo de caixa gerando um grande hiato entre recebimentos e pagamentos e demandando no mercado grandes ajustes financeiros e investimentos. Tudo isto, sem sombra de dúvida, trará consequência na operação do empreendimento e na sua estrutura organizacional.

Além disso, o sócio-diretor da Picarelli Human Consulting pontua as principais mudanças que farão parte da relação entre trabalhadores e empresa:

  • Trabalhista: suspensão dos contratos de trabalho, mudança de horários,  diminuição de salários e benefícios, revisão dos acordos sindicais.
  • Gestão: novas abordagens de administração de recursos, de organização de trabalho com uso de equipes voltadas a projetos e uso intenso e profundo de tecnologia.
  • Liderança: profunda mudança na estratégia de desenvolvimento dos executivos, pois a economia demandará não só novas formas de gestão, mas também capacidade para apoiar psicologicamente os seus liderados superarem os impactos que as mudanças trarão para as sua vidas.
  • RH: maior atenção à saúde mental, mudanças culturais advindas das  mudanças na forma de fazer negócios e profunda revisão dos temas:  competências, metas e acompanhamento do desempenho.

E quais lições tirar com tudo isso?

Marcelo Rocha, diretor sênior da Zendesk no Brasil, deixa claro que “as verdadeiras soluções virão de indivíduos e empresas que forem capazes de ser empáticos o suficiente para liderar e inovar de forma rápida e independente nesse novo contexto social”. Mesmo em momentos de crises é possível inovar e crescer não só como profissional, mas também como pessoa, especialmente quando se enxerga quais lições são possíveis tirar.

E quais lições seriam essas? Vicente Picarelli destaca:

  • Nada é para sempre.
  • Enfrentar juntos é melhor do que encarar sozinho.
  • Todos precisam de ajuda.
  • É preciso investir mais no autoconhecimento.
  • Entender e viver o problema aumenta o campo de consciência.
  • O trabalho conjunto cria a inteligência coletiva.
  • Energize sua rede, mantenha contato sempre.
  • Dê espaço para o outro e faça uma escuta ativa.
  • Seja claro sobre o que você não sabe e peça ajuda.
  • A imprevisibilidade existe, como é possível aprender com ela e melhorar para amanhã.
  • Pelo que hoje estou agradecido?

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