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A Armadilha Do Ego Como Obstáculo Ao Sucesso Profissional

Coluna 1371

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Quem acompanha bem a carreira de executivos famosos, ficou estarrecido com a notícia sobre a prisão do todo poderoso Carlos Ghosn, talvez o mais famoso executivo que a indústria automobilística mundial conheceu. Eu diria que Carlos Ghosn foi mais influente que o lendário Lee Iacocca, o criador do épico Mustang, da Ford, e o salvador da Chrysler Corporation na década de 80, quando a empresa, por muito pouco, não foi à falência.

Carlos Ghosn nasceu em Porto Velho - Rondônia, filho de Jorge e Rose, ele libanês e ela nigeriana, filha de libaneses, atraídos para tal região longínqua pelos negócios com extração de borracha. O jovem Carlos Ghosn foi enviado para Paris, a fim de estudar e lá se formou na Escola Politécnica.

Sua carreira teve passagens pela Michelin, fabricante francesa de pneus, onde trabalhou no Brasil e assumiu a operação sul-americana da companhia. Dado o seu excelente desempenho como executivo, Carlos Ghosn foi enviado para reestruturar a operação americana da Michelin nos Estados Unidos. Depois ele foi trabalhar na Renault, onde cuidou do saneamento financeiro da empresa. Dado o seu histórico de resultados, assumiu o mais difícil desafio para salvar a Nissan japonesa, recém adquirida pelo grupo francês. Ghosn desenvolveu um estilo agressivo de cortador de custos e de demissão de empregados, o que lhe rendeu o apelido de “cost-killer”.

Ghosn possui um raro conjunto de talentos que combina clareza sobre o que fazer, como fazer, disciplina impecável de execução, somado a uma capacidade única de visualizar tendências no mercado automobilístico, seguido de um grau de autoconfiança exageradamente superior à média. Esses atributos fizeram dele um ícone da indústria automobilística mundial, com direito a ser considerado um “pop star”, ovacionado e paparicado pelos jornalistas de publicações executivas. Inclusive a Revista Exame o entrevistou algumas vezes, sempre colocando-o no pedestal.

Carlos Ghosn foi preso na segunda-feira passada, dia 19 de novembro de 2018, no Japão, acusado de falsificar relatórios de renda em milhões de dólares e de usufruir dos ativos da empresa para fins e interesses pessoais.

Infelizmente, Ghosn é mais uma vítima do seu próprio ego, manifestado pela vaidade e ambição excessivos que o fez perder-se no caminho e macular uma brilhante carreira. Sua reputação ficou absolutamente arranhada, principalmente por sempre ter defendido que os executivos devem gerenciar as suas empresas pelo exemplo. O seu exemplo nos ajuda a entender bem o que não fazer.

Tenho defendido a necessidade de se implantar nas organizações, programas de autoconhecimento e desenvolvimento sócio-emocional para executivos e dirigentes empresariais, visando o bem estar dos indivíduos e de todos aqueles que deles dependem. Nossa personalidade se vale de nossa capacidade inata de erguer defesas e compensações para o que nos magoou na infância. Essa atrofia no desenvolvimento não se deve a alguma falha nossa, mas ocorre porque, nos anos de formação, as pessoas geralmente não estão conscientes de que é possível desenvolver-se mais.

Entender o medo e o desejo fundamentais ajuda a compreender melhor o milenar ensinamento universal de que a natureza humana é movida pelo medo e pelo desejo. Isso é uma porta aberta para que o ego se manifeste e nos manipule. A estrutura da nossa personalidade é constituída por um movimento de fuga do medo fundamental e outro de busca do desejo fundamental. O tom geral de nossa personalidade surge dessa dinâmica, a qual se torna a base de nossa noção de Eu. Triste ver como acabou essa jornada egoica.

Por Américo Figueiredo, Conselheiro Consultivo, Professor Educação Executiva em Gestão de Pessoas, Governança e Organizações, Mentor de Carreira. É um dos colunistas do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação.

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