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7 passos para construir seu propósito de vida e de carreira

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O propósito é um dos temas mais relevantes para o profissional contemporâneo. Um estudo feito por Gabriel Grant, pesquisador da Universidade Yale, analisou com a ajuda de inteligência artificial literaturas acadêmicas em 11 países do mundo nos últimos 200 anos e mostrou que a expressão "propósito para a vida" nunca foi tão usada quanto nos últimos 40 anos.

Viver um propósito inspirador se tornou item obrigatório na lista de todo profissional bem-sucedido. Sem propósito, parece que a pessoa se torna um autômato desmotivado, um barco à deriva, sem rumo pelos mares da vida. Se isso for verdadeiro, como fica aquele que ainda não descobriu seu propósito de vida? Ele estaria fadado a uma vida morna e medíocre? Se você ainda não sabe o seu, caro amigo, prepare-se para a dúvida, a ansiedade e a exclusão por não fazer parte do clube. Mas será que existe um caminho para encontrar ou entender o propósito de vida? Pode levar algum tempo, mas há, sim.

  1. Viva e acumule experiência

Para saber qual é o seu propósito, qual a sua motivação para contribuir positivamente com esse mundo, é necessário ter estrada percorrida, experiência de vida. A busca depende de diversos fatores, então vale considerar um ensinamento atribuído a Aristóteles, "onde as necessidades do mundo e seus talentos se cruzam, aí está sua vocação". Nesse sentido, você só descobrirá seu propósito quando tiver conhecimento dos seus próprios talentos e das demandas reais do mundo.

  1. Não desista à primeira dificuldade

Porque haverá muitas outras, como a clássica crença onipresente de precisar encontrar uma causa justa e digna de esforço. É tamanha a pressa que não deixamos que nossas experiências, de vida e de trabalho, tornem possível que um insight tão importante quanto esse efetivamente traga brilho aos nossos olhos. Além disso, conceitos e vieses coletivos influenciam, nem sempre de forma positiva, o entendimento da questão.

  1. Aja e não espere por um "chamado arrebatador"

Muitos de nós deixamos a vida passar esperando o tal "chamado" para uma vida plena de significado. A mídia faz um grande desserviço ao disseminar essa ideia dando espaço para histórias de celebridades que atuam com grandes questões sociais ou causas ambientais. Mas isso não é a realidade da maioria absoluta das pessoas.

  1. Comece já

Para grande parte dos indivíduos, buscar um propósito é encontrar uma direção para caminhar, não um destino. Assim, o propósito precisa ser encarado como um processo de ação e movimento, não um estado fixo. Podemos nunca receber o "chamado verdadeiro", mas isso não deve ser um impeditivo para sempre criar caminhos possíveis que nos permitam construir carreiras e vidas muito mais significativas. Assim, crie metas possíveis que funcionem como pequenos passos para coletar informações sobre si e o mundo e exercitar sua curiosidade ativamente rumo à descoberta do seu propósito.

  1. Ouça sua intuição

Segundo Viktor Frankl, que escreveu sobre a importância do propósito no livro "Em busca de sentido", no qual compartilha sua própria experiência em campos de concentração durante a 2ª Guerra Mundial, o propósito é fundamental para a sobrevivência do ser humano. Como disse o escritor: "tudo pode ser tirado de um homem, menos uma coisa, a última das liberdades humanas: escolher sua atitude frente a qualquer circunstância". Mesmo que você ainda não saiba qual é, seu propósito se revela a partir de suas escolhas passadas e presentes.

  1. Alterne pontos de vista

Uma inverdade relacionada à ideia de propósito é a de que apenas alguns tipos de trabalho geram, efetivamente, um propósito para você chamar de seu. Mas, e se buscássemos outro ponto de vista? Considere as atividades que desempenha sob o olhar dos vários atores que eventualmente se beneficiam dela, seja durante sua realização ou em sua conclusão. É impressionante perceber a quem impactamos ao explorar novas perspectivas sobre o nosso trabalho, sobre o que significa, realmente, fazer o bem e contribuir para alguém ou algo além de nós mesmos.

  1. Não seja ansioso e valorize o tempo e suas realizações

Saber nosso propósito por meio de uma "revelação" - o que implicaria em saber tudo de uma só tacada -, assim como sermos acertados por um raio vindo dos céus, é algo mais raro do que parece. Aqui está um dos meus principais argumentos que apoiam a ideia de que é necessário ter maturidade, pessoal e profissional, para entendermos nosso propósito: enquanto muitos buscam pela tal "revelação" ao decidir a faculdade, a maioria de nós vai trabalhar por 45 ou 50 anos - o equivalente ao tempo necessário para cursar aproximadamente dez cursos de graduação. Imagine o quanto você pode descobrir sobre si mesmo nesse período. Além disso, há estudos globais que indicam que empreendedores fundam suas empresas quando têm, em média, 42 anos de idade. Isso sugere que a revelação do propósito não é instantânea nem passiva, mas gradual e ativa. É uma construção que depende de fatores que ainda podem nem ter surgido na sua vida.

Veja que não são passos possíveis de serem dados de um dia para o outro, assim como o propósito não é algo a que se chegue sem uma perspectiva maior do mundo e do seu papel nele. Aqui vale ressaltar que a procura por um propósito não deve ser usada como uma justificativa para a inação, omissão ou adiamento. Essa pode ser minha dica final - e que bem poderia ser um grande oitavo passo rumo ao propósito: mantenha-se atento e curioso, receptivo a mudanças, tanto externas quanto internas. Preste atenção ao que realmente move você e transforme sua atitude de maneira a mudar a forma como você enxerga suas ações, os resultados dessas ações e suas próprias necessidades. Trabalhe, dedique-se, coloque-se em ação e prepare-se para altas doses de esforço e dedicação nessa busca pela sua contribuição no mundo, que pode estar onde você sequer esteja olhando hoje. Pode demorar, ou talvez não, mas é certo que seu propósito será construído por você.

Por  Eugenio Mattedi Jr., engenheiro de produção civil pela UTFPR, mestre em Psicologia Social e do Trabalho pela USP, host do podcast Making Of.fice e atua como Consultor de Aprendizagem na Afferolab