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43% Dos Executivos De Negócios Admitem Vender Dados De Seus Consumidores, De Acordo Com Pesquisa

Dados 358

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Segundo uma pesquisa sobre o nível de confiança em serviços digitais realizada pelo Frost&Sullivan, com patrocínio da CA Technologies, em março e abril de 2018, 48% dos executivos entrevistados admitiram que suas empresas se envolveram em violações de dados. E 43% dos líderes de negócio afirmaram que vendem informações pessoalmente identificáveis (PII, na sigla em inglês). As informações fazem parte do relatório Global Stateof Digital TrustSurveyand Index 2018.

O levantamento apontou que somente 15% dos profissionais de cibersegurança pesquisados sabiam da venda dos PII, enquanto 90% das organizações afirmaram que oferecem forte proteção dos dados de consumidores. Contudo, foi observada uma diferença de 14% entre o Índice de Confiança Digital dos consumidores (61%) e a percepção dos executivos e profissionais de cibersegurança (75%) nesta confiança, demonstrando visões incompatíveis da realidade.

“No último ano percebemos um crescimento na consciência do consumidor digital. A nova Lei Geral de Proteção de Dados do Brasil reforça a importância de melhorar a cibersegurança e impulsiona as empresas a se preocuparem e adaptarem às novas normas, principalmente porque os usuários estão mais exigentes em relação à proteção de suas informações pessoais e confidenciais e querem se associar a produtos e serviços alinhados com seus valores", comenta Julio Carvalho, Diretor de Cibersegurança para América Latina na CA Technologies”.

Quase metade dos consumidores (48%) relata ter abandonado os serviços de uma organização envolvida em uma violação de dados divulgada publicamente. De acordo com Carvalho, no mundo digital, os consumidores esperam que uma boa experiência do usuário seja acompanhada por segurança e privacidade. "A confiança é passageira se as organizações não adotarem o processo para evitar que os dados dos consumidores caiam em mãos erradas. O sucesso na economia digital exige a adoção de uma mentalidade de segurança em primeiro lugar e a perda de confiança digital impacta diretamente todos os aspectos de um negócio e na percepção da marca'", conclui.

O relatório, que contou com 990 consumidores, 336 profissionais de segurança e 324 executivos entrevistados, surge em momento no qual as transações on-line ganham força. Com isso, as organizações têm cada vez mais dados pessoais armazenados, o que aumenta sua responsabilidade de proteção.

“Estamos numa encruzilhada na era da informação, pois mais empresas estão em destaque por não protegerem os dados que armazenam. Com essa pesquisa procuramos entender como os consumidores se sentem com suas informações pessoais nas mãos das organizações e como as organizações veem seu dever de proteger esses dados", diz Jarad Carleton, Diretor de Cibersegurança da Frost&Sullivan. "O que a pesquisa constatou é que certamente existe um preço a pagar quando se trata de manter a privacidade das pessoas, não importa se você é um consumidor ou gerente de uma empresa que lida com dados de clientes. O respeito pela privacidade do consumidor deve ser um pilar ético para qualquer companhia que coleta dados de usuários”, acrescenta.

Como se proteger

Em agosto, o Presidente Michel Temer sancionou a Lei de Proteção de Dados Pessoais (Lei nº 13.709/2018), que assegura que os dados pessoais não sejam utilizados sem o expresso consentimento do titular e garante que qualquer brasileiro possa editar ou excluir informações suas informações constadas em banco de dados.

Julio explica que “a nova lei implicará, sob penalidade de multa, que empresas e o setor público adotem medidas administrativas e técnicas para a proteção dos dados pessoais de seus clientes e usuários, que deverão ter mais autonomia sobre quais informações compartilha e os fins dados a elas pela organização em questão”.

Segundo o executivo, até então a única alternativa para o consumidor se proteger das violações era abandonar os serviços de empresas envolvidas em violação. Ainda assim, isso não representaria grande impacto uma vez que seus dados já estivessem circulados. Já com a lei, as pessoas podem ter maior controle sobre seus dados. Além disso, Júlio aponta alguns cuidados básicos a serem tomados, como evitar fornecer dados para empresas desconhecidas e sem reputação reconhecida e utilizar senhas diferentes para cada conta e aplicativo.

Por parte das organizações, a recomendação maior é que seus processos de segurança não sejam adaptados somente no limite do prazo no qual a lei entrará em vigor – fevereiro de 2020 -, mas sim o mais rápido possível. “É recomendado que já procurem empresas especializadas para mapear as vulnerabilidades no tratamento de dados de terceiros. Hoje é possível incluir a segurança do usuário – e, portanto, de seus dados - em todo o processo de desenvolvimento de um software. É dever das empresas buscarem as mais completas soluções do mercado para tratar de um dos bens mais valiosos do ser humano, seus dados únicos e confidenciais”, finaliza Carvalho.

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