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1º de abril: o que é verdade e o que é mentira sobre o coronavírus

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As notícias falsas - chamadas fake news - se tornaram uma preocupação mundial. Embora a prática, em si, não seja nova, o termo ganhou força à medida que as redes sociais se tornaram um forte canal para a propagação de conteúdos mentirosos. 

Se, diariamente, já é necessário ter atenção dobrada com as informações consumidas, o famoso “1º de abril” exige que o cuidado seja reforçado. As “brincadeiras” nem sempre inofensivas envolvem todo e qualquer assunto, inclusive a pandemia do coronavírus, responsável por uma intensa mobilização de entidades governamentais ao redor do planeta. Por conta disso, separamos algumas verdades e mentiras referentes à COVID-19 para que você fique alerta e não se deixe levar por compartilhamentos inverídicos.

Medidas de precaução exigem assertividade

Da mesma forma que o excesso de informação sobre a pandemia pode proporcionar ansiedade, medo, pânico e outras sensações negativas, o efeito de publicações com conteúdo não verdadeiro a respeito do tema causa o mesmo efeito. Portanto, em prol de uma prevenção efetiva e do estímulo à calma e não à histeria, confira práticas compartilhadas como eficazes em aplicativos de conversa e redes sociais, mas que NÃO têm qualquer comprovação científica e médica de que funcionam contra o vírus.

  • O uso de máscaras oferece proteção total

É verdade que o uso da máscara oferece uma proteção maior, mas ainda assim alguns cuidados devem ter tomados para que haja uma maior segurança.

À Folha de S. Paulo, o Dr. Dráuzio Varella explica que as máscaras não apresentarão serventia caso o indivíduo esteja com o vírus na mão e coce os olhos, por exemplo. Além disso, a utilidade da máscara se soma aos procedimentos recomendados de higienização e prevenção, como o uso de álcool em gel, lavar bem as mãos e evitar contato, pois o próprio acessório pode carregar o vírus se o usuário não tomar medidas completas de prevenção. 

  • Bebidas quentes como água e chá podem matar o vírus

Pesquisadores identificaram que em temperaturas muito quentes o vírus tem a sua multiplicação desacelerada. Contudo, não impedida. O Ministério da Saúde informa que ainda não há nenhuma bebida, alimento, medicamento ou vitamina - aproveitamos aqui para enfatizar que também são fakes as notícias que alegam que a Vitamina C pode acabar com o coronavírus - que impeça a contaminação da doença.

Há, também, a circulação de que drogas como cocaína e lança-perfumes têm ação preventiva contra a COVID-19. Mais uma vez, são informações sem nenhum embasamento e que não se sustentam, portanto, não acredite nelas.

  • Já existem curas e vacinas / o coronavírus não tem cura

É fake dizer que o coronavírus tem cura? Sim! É fake dizer que não tem? Sim, também! Parece confuso, mas vamos explicar:

Primeiramente, não é verdade informações que alegam que Cuba já tem pronta uma vacina anti-COVID-19. Igualmente, não é fato que médicos tailandeses têm métodos que curam a doença em 48 horas, outra informação que é explanada com frequência.

Ao mesmo tempo, a letalidade da doença não é “automática” (‘peguei o vírus, agora vou morrer). Pelo contrário. Embora ainda não exista um medicamento ou vacina de cura, a maioria dos pacientes contaminados com o vírus não vai a óbito. Um tratamento médico eficaz somado às recomendações de prevenção (se contaminado, ainda assim preze pela higiene e siga a quarentena) pode conter os avanços sintomáticos da doença.

Lembrando que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que um médico seja procurado caso sintomas mais fortes do que os de uma gripe comum se manifestem: coriza, dor de garganta, dor de cabeça, febre, dor nos músculos e dificuldade para respirar.

  • Produtos chineses vão me infectar

Estima-se que em superfícies inanimadas, o vírus não sobreviva mais do que nove dias. A possibilidade produto estar ou não infectado é indiferente em relação a de onde ele vem. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) não decretou nenhuma restrição a produtos e alimentos que chegam da China.

Ao portal Hospitais Brasil, a infectologista do Hospital Santa Rosa, Zamara Brandão, esclarece que uma simples limpeza com álcool 70% ou hipoclorito de sódio é o suficiente para promover uma boa higienização no produto.

Alerta às PMES

Já nocivas em tempos comuns, as fake news assumem um caráter ainda mais grave e perigo em momentos de crise. As publicações falsas tornam o enfrentamento do novo coronavírus um desafio ainda maior em diversas áreas, inclusive no setor financeiro. Nesse segmento, os micro e pequenos empreendedores ficam a mercê de informações contraditórias e muitas vezes falsas. O alerta é feito pelo advogado especialista em micro e pequenas empresas, Mário Inácio Ferreira Filho, da IF Assessoria Empresarial.

A pandemia fechou o mercado e deixou muitas empresas sem qualquer receita. Há quem consiga fazer home office e, minimamente, continuar empreendendo. Mas há quem não conseguirá trabalhar de forma alguma e não terá nenhuma renda. Porém as despesas e encargos não darão trégua. Porém, para Ferreira Filho, este não é o maior problema de toda esta situação. “Uma enxurrada de fake news causará mais problemas para as micro e pequenas empresas do que o lockdown do mercado ou o próprio coronavírus”, alerta o advogado.

O especialista esclarece que este é um momento sensível para o pequeno empreendedor, que precisa tomar decisões cirurgicamente assertivas para evitar que sua empresa feche ou para que tenha o fôlego financeiro e estratégico para suportar o período em que todos precisarão ficar em isolamento.

Pode demitir? Paga-se multa? Pode reduzir salário? Pode-se suspender o contrato? Paga salário ou não? Fecho ou não fecho? Estas e muitas outras dúvidas pairam sobre a cabeça dos empresários.

Ações precisam ser colocadas em prática e informações sérias e objetivas são essenciais para auxiliar o empresário nesta tomada de decisão. “Um governo inconstante e moroso para propor medidas já é suficiente para confundir o pequeno empresário. Imagine, agora, se somarmos fake news e imprecisão nas informações a esta conta”, comenta o especialista, se referindo a suspensão do contrato de trabalho proposta pela Medida Provisória 927, editada no dia 22 de março e revogada em menos de 24 horas.

Ferreira Filho alerta ainda que uma decisão errada poderá ter consequências que vão extrapolar o período de pandemia; “Ouvi de especialistas que a Medida Provisória 927 permitia demissão pagando-se apenas metade das verbas rescisórias, mesmo quando a empresa não se extinguisse. Isto é ação trabalhista na certa”.

Mesmo num momento de incertezas, com muitos comentários sendo expostos e muitas propostas vindo do governo, é importante que o pequeno e o médio empresários sejam serenos em tomar decisões e se baseiem em comentários pautados nos dispositivos legais existentes. “A situação é muito grave para deixarmos consequências para depois que acabar a crise. Uma ação trabalhista neste momento está fora de cogitação”, reforça.

Projeto de lei pune fake news

A Assembleia Legislativa (Alesp) aprovou no dia 11 de março o Projeto de Lei 538/2018, de autoria do deputado Edmir Chedid (DEM), que prevê punição administrativa a quem divulgar ou compartilhar notícias falsas (fake news). A matéria tramitou em regime de urgência no Poder Legislativo e, após a votação final, seguirá para a sanção do governador João Doria (PSDB).

O Projeto de Lei proíbe em nível estadual a divulgação e o compartilhamento de notícias ou de informações comprovadamente falsas e prejudicialmente incompletas, que possam alterar, corromper ou mesmo distorcer a verdade. “Infelizmente é muito grande o número de fake news publicadas e compartilhas não somente no Estado de São Paulo, mas em todo o país. Isso precisa parar”, comentou o deputado.

De acordo com Chedid, a comprovação do ato resultará para o infrator no pagamento de multa de R$ 5.522,00, que corresponde a 200 Ufesps – Unidade Fiscal do Estado de São Paulo. “Toda a intenção neste sentido que afete diretamente o interesse público ou tenha por finalidade obter vantagem de qualquer natureza estará sujeita à multa prevista neste Projeto de Lei aprovado na Alesp”.

A matéria determina que a multa será aplicada pela metade caso a divulgação ocorra por compartilhamento de informação ou notícia em redes sociais e aplicativos de dispositivos móveis. No caso de reincidência, a multa será aplicada sucessivamente em dobro. “A multa será em dobro se o responsável for servidor público ou se a notícia falsa se propagar a partir de órgão público”, garantiu.

Não será considerada infração pela proposta de Lei o compartilhamento das informações ou notícias em redes sociais e em aplicativos de dispositivos móveis quando não esteja caracterizada a intenção de prejudicar ou afetar a honra ou imagem de pessoa física ou jurídica; assim como a divulgação por pessoas que não tenham conhecimento sobre a falsidade da notícia.

Para saber mais a respeito do que é verdadeiro e falso referente ao Coronavírus, acesse https://www.saude.gov.br/component/tags/tag/novo-coronavirus-fake-news. O Ministério da Saúde posta constantemente matérias desmentindo fake news e enfatizando o que é verdade e o que não é sobre a COVID-19. 

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