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10 dicas para o RH reforçar a contratação de pessoas com deficiência

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Quando se trata de empregar colaboradores com deficiência, o principal impedimento revelado pelas empresas é o gap na qualificação profissional. Em partes, a justificativa é válida visto que a pessoa com deficiência não tem acessibilidade em ambientes de aprendizagem, o que reflete na performance. Porém, ainda é possível atrair talentos qualificados. “Ao deixar de contratar por causa da falta de qualificações, a companhia joga o problema na pessoa. É uma situação mais confortável do que admitir que não está preparada para recebê-lo. Entretanto a contratação é um desafio a ser superado pelo preparo”, revela Guilherme Bara, gerente de relacionamento e diversidade da Fundação Espaço ECO®.

É inegável a existência de dificuldades das pessoas com deficiência em entrar no mercado de trabalho. A primeira trata-se da defasagem em acessibilidade arquitetônica e tecnológica - desde o espaço de trabalho até as inscrições para o cargo. Afinal, são raros os sites adequados aos surdos ou cegos. Em segundo lugar encontra-se a ausência de informações. De forma geral, há pouco conhecimento sobre a temática e por desconhecerem os recursos inclusivos como, o leitor de telas ou a Língua Brasileira de Sinais (Libras), as equipes de seleção ficam perdidas e acabam evitando o assunto. Por fim, está a barreira atitudinal. Ou seja, a companhia está preparada, mas de forma inconsciente não realiza a contratação. É a história de não contratar para livrar a pessoa com deficiência de lidar com possíveis adversidades. 

Para o consultor, a inclusão no ambiente corporativo avançou nos últimos tempos. Mas, ainda há um longo caminho pela frente. Neste contexto, o maior erro que as empresas cometem é a acomodação. “Quando o colaborador com deficiência entra, a organização acredita já ter feito a parte dela. Então, o deixa na mesma posição sem se preocupar em adaptar as demais áreas da companhia, pensando na realização de um plano de carreira. Na verdade, ele tem aspirações como as de qualquer profissional. Inclusive, de querer ser promovido ou transferido para outro setor. O movimento de rotatividade das pessoas com deficiência é grande por este motivo. As únicas chances de serem promovidas e enfrentarem novos desafios são mudando de emprego”, aponta. 

Bara tem na manga algumas dicas valiosas para as corporações que desejam receber a pessoa com deficiência: 

 

1. Não espere o mundo ideal

 

Esse universo não existe e por consequência a contratação se inviabiliza. É importante ter a seguinte lembrança “o ótimo é inimigo do bom”. 

2. Assuma as próprias dúvidas na hora de selecionar os candidatos

As fingir que não liga para a questão, não saberá lidar com a situação posteriormente. Contudo, é necessário realizar questionamentos ligados a função. Perguntas pessoais não são relevantes nesta etapa e devem ser deixadas para as conversas informais. 

3. Pergunte mesmo depois do candidato contratado  

As indagações também são relevantes quando a pessoa com deficiência passa a fazer parte do quadro de funcionários. Caso ache que ela precisa de ajuda, pergunte. Se a suspeita for confirmada, ela vai te informar como auxiliá-la. Esta alternativa é melhor do que evitar o contato ocasionado pelo desconhecimento ou ter uma pró-atividade exagerada e prestar assistência sem necessidade.

4. Não tenha em mente apenas os impedimentos

“O time de Recursos Humanos costuma colocar bastante foco no desafio e pouco esforço na solução. Na prática a empresa programa uma apresentação com slides em power point e deixa para informar o colaborador cego depois, o que não acontece. Ou envia outro funcionário no lugar do cadeirante, porque onde ele precisava ir tem degraus. Uma pessoa com deficiência tem várias características e uma delas é a deficiência. O RH deve enxergar a pessoa”, finaliza o consultor.  

O design deve ser universal 

Qualquer edificação, ambiente ou produto pode ser alcançado e manipulado independente do tamanho do corpo do indivíduo, sua postura e mobilidade. São espaços que contemplam crianças, adultos altos ou baixos, idosos, gestantes, obesos e pessoas com deficiência. A ideia é justamente evitar a necessidade de ambientes especiais e assegurar que todos possam utilizar com segurança e autonomia objetos ou ambientes construídos. Portanto, a construção e o mobiliário devem ser acessíveis e utilizáveis por toda a vida pelo maior número possível de pessoas sem ser necessário realizar adaptações estruturais. Este é o conceito de Design Universal trazido pela arquiteta Silvana Cambiaghi.

De acordo com a especialista, a prática não é uma nova ciência para os ambientes corporativos e sim um estilo. “Exige a consciência da necessidade e uma abordagem de senso comum para tornar tudo o que compramos ou produzimos utilizáveis por todos na maior extensão possível. Em certos casos, requer apenas pequenas mudanças como a forma de um elemento, sua colocação, tamanho e a força necessária para operá-lo. Por exemplo, ter rampas em vez de escadas”, diz. 

Anote os principais pontos a serem levados em consideração no momento de tornar o local universal para receber todos os colaboradores. 

5. Alinhe a referência

As recomendações para a adequação da estrutura física levam como base a viabilidade da circulação e manobras de pessoas, utilizando os mais variados tipos de equipamentos: muletas, bengalas, andadores, cães-guias e afins. Por ser a utilidade que mais necessita de espaço, a cadeira de rodas foi o modelo para a criação do “módulo de referência”. Ou seja, se há perímetro suficiente para uma cadeira circular há espaço adequado para todos. Além de acessibilidade, as portas de 0,80 metros de largura permitem conforto. 

6. Selecione os materiais

Dê preferência aos puxadores de alavanca porque todas as pessoas, inclusive, as com dificuldades de usar as mãos conseguem manuseá-los. Os pisos não escorregadios e as portas com abertura tanto para o lado externo como interno também são bem-vindos.

7. Preste atenção na localização

Tomadas elétricas implantadas a uma altura um pouco superior ao usual em pavimentos estão ao alcance da maioria das pessoas sem terem a necessidade de dobrar-se. A regra também é válida para metais e interruptores para facilitar a localização.

8. Comunique-se

Os formatos de passar uma informação devem sempre contemplar o visual, tátil e sonoro. 

9. Facilite a mobilização

O ideal é apresentar um ambiente de trabalho com mesas de cantos arredondados, alturas de mesa e cadeiras ajustáveis e paredes que possibilitem a instalação de barras de apoio ou transferência, se necessário. 

10. Tenha um plano B

Onde houver degraus pode existir uma rampa de alternativa.

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