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Aline Sueth

Especialista em Gestão Corporativa Estratégica, Comportamento e Transformação Organizacional. Diretora de Gente, Gestão e Comunicação da Elfa.

Só leia caso seja, ou queira ser, um líder de pessoas com alta performance

“Desculpa, mas eu preciso te lembrar disso”

Desprezamos manuais, não lemos as bulas, deixamos para lá “as letras miúdas” dos contratos, no geral, queremos alcançar os objetivos e bem rápido, na verdade super rápido, mas não gostamos de cumprir rotinas e etapas. Não gostamos dos processos. Será que queremos alcançar a velocidade das máquinas, buscando super produtividades não só nas empresas, mas também nos seus indivíduos?

Tudo bem primar por praticidades, mas como fica a execução da liderança nisso tudo? Em qual tempo e como vamos cuidar das pessoas?

Por mais que a evolução permita ao humano melhorar constantemente não acredito que queiramos ser mais rápidos e tão previsíveis quanto as máquinas, e nem tão pouco tratados friamente como robôs.

Com o advento da pandemia, todos os liderados esperam muito mais das políticas organizacionais e dos seus líderes. Isso mesmo, esperam mais, adicionalmente mais. Eles estão olhando para tudo o que está acontecendo, observadores, atentos e cada vez mais críticos.

Que tal fazer um checkup das suas atitudes? Use a lista abaixa e avalie como você está.

Segredos para liderar em novos tempos:

  • Faço o que prego. Seu crachá não vale tanto quanto você acredita. Sua consistência e persuasão sim. Mostre convergência entre o que fala e faz. Também entre o dia a dia pessoal com o profissional.
  • Sou emocionalmente estável. Na posição de líder essa é uma questão qualificadora. Antes de tudo, tem que controlar suas emoções e saber cuidar de você mesmo (care of yourself).
  • Não subestimo meus liderados. Eles estão muito mais bem informados do que imagina. Em algumas questões, certamente mais preparados do que você, independentemente do cargo, idade e experiências que tenham.
  • Promovo a diversidade. Não faça integrações apenas, faça inclusões verdadeiras.
  • Individualizo minha liderança. Perceba o que é importante para cada um e ajude-os nisso. Dá trabalho, mas não funciona mais uma liderança linear.
  • Foco nos talentos individuais da equipe. Exalte os talentos das pessoas e não foque em lembrá-los o tempo todo no que precisam melhorar. Em momentos específicos elenque as oportunidades de melhoria que você identifica, mas não queira mais do que a própria pessoa melhorar determinadas habilidades nela.
  • Comunico o sonho de “longo prazo”. Para superar os problemas, as inseguranças, as adversidades inevitáveis, o cansaço, só com uma perspectiva clara e mais relevante à frente.
  • Dou-lhes propósitos e não apenas metas. Explique os porquês intangíveis dos objetivos e metas. “Emocionalize” a jornada. Sabe aquela ideia de ir direto ao ponto? Não engaja. Precisa contar histórias e inserir o liderado em contextos, de preferência, fazendo-os protagonistas.
  • Sou otimista e nunca me vitimizo. Mas não confunda com irresponsabilidades, loucuras e ansiedades. O otimista é accountable, foca na solução, corajoso e resiliente.
  • Reafirmo as prioridades e as premissas constantemente. Deixe claro os pontos focais de cada objetivo, assim como as regras e parâmetros associados.
  • Combino e faço acordos. Dessa forma você aumenta e muito a confiança mútua e pode diminuir a necessidade de monitoramentos.
  • Sou acessível. O mundo está fluido. A vida circula pelas redes sociais. Não se esconda. E quando seus liderados vierem falar com você, abaixe a tela do computador, guarde a caneta, tira os fones de ouvido, silencie o celular, guarde seus paradigmas “na gaveta” e sente-se de frente para eles, olhando em seus olhos. Escute, sem pressa para responder e sem julgar.
  • Foco menos no tradicional feedback e “bato mais papos”. Converse sobre pontos de vista. Fale 50% e ouça 50%. Não domine o diálogo, nem a relação. Feedback não é um processo de convencimento. É um processo de compartilhamento sobre percepções. Uma oportunidade de análise mútua. Aceita quem quer e puder.
  • Compartilho minhas vulnerabilidades. Mostre-se confiante, empenhado e competente, mas não infalível e perfeito. Comente sobre o que já teve que superar e quais situações ainda o deixam com “frio na barriga”.
  • Peço sugestões.
  • Apoio o desenvolvimento. Com tempo, orientações ou recursos. De alguma forma os apoiem na busca pelo conhecimento e melhoria.
  • Tolero os erros honestos. Aqueles erros sem intenção. Erros oriundos dos processos de inovação e ou pela busca da melhoria contínua.
  • Não tolero desonestidades. Principalmente em prol de resultados inclusive. Não mantenha na equipe pessoas com moral duvidosa.
  • Tomo decisões.
  • Meço o desempenho, mas considero o empenho. As pessoas também querem ser valorizadas pelo comprometimento no dia a dia, já que alguns resultados não são alcançados por questões fora das suas autonomias.
  • Dou os créditos. Não compita com o próprio time.
  • Reconheço-os. Ok, ainda vale o tapinha nas costas e a exposição positiva diante dos outros, mas eles esperam algo concreto e tangível também.
  • Apoio a Celebração. Incentive a felicidade e diversão em meio ao trabalho sério e duro. A vida é integrada, única.
  • Preocupo-me com o impacto social. Seus liderados querem compor algo amplo, convergente e conectado ao social. Mostre para eles que você também. Se os pontos acima estiverem ok quando somados a esse, mais do que liderados, você ganhará fãs. Uma relação de reciprocidade inabalável, que diante de tantas complexidades e mudanças é algo de valor inestimável.

“Alguém que tem o poder de influenciar outros é um líder”. Chuck Swindoll

Por Aline Sueth, é palestrante, mentora e diretora de gente e gestão do Grupo Elfa. É uma das colunistas do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião da colunista. Foto: Divulgação.


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