Será que estamos tão focados em preparar a organização para lidar com tecnologias que prometem eficiência e produtividade, que acabamos deixando escapar elementos invisíveis que sustentam a performance real?
Quando falamos de alta performance, ainda há uma fixação quase automática em métricas financeiras. Segundo a pesquisa Panorama Lideranças 2025, 82% das empresas brasileiras medem performance com base em lucro, receita ou margem. O problema? Esse modelo está cada vez mais míope. Existem fatores invisíveis que podem custar muito mais caro do que um trimestre ruim de resultados.
O estudo mostra três custos silenciosos que não cabem em planilhas, mas pesam diretamente no negócio:
- 72% dos respondentes apontam baixo engajamento como consequência direta de líderes despreparados;
- 68% afirmam que a liderança é o maior fator de permanência ou de fuga de talentos;
- 61% reconhecem que decisões ruins, com “aparência de acerto”, minam a confiança e criam ciclos de frustração.
Em síntese, trata-se de um efeito dominó: líderes frágeis geram desengajamento, que acelera a saída de talentos e aumenta a desconfiança, e esse ciclo é muito mais caro do que qualquer trimestre de baixa.
O dado de que 69% das empresas já enxergam a inteligência artificial como aliada estratégica mostra como a tecnologia se consolidou como pilar da gestão, ajudando a traduzir dados em insights, antecipar riscos e medir execução em tempo real. Mas aqui mora um risco: quanto mais delegamos à tecnologia processos que “facilitam demais”, podemos atrofiar a musculatura humana da organização, aquela que lê silêncios, percebe nuances e interpreta sinais que impactam diretamente em engajamento, cultura e retenção de talentos.
Outro dado relevante alerta que 59% das falhas estratégicas decorrem de comunicação mal distribuída. Ou seja, mesmo em ambientes altamente tecnológicos, o que mata a estratégia é a falta de conexão humana. E não por acaso, os maiores gaps de liderança revelados pelo estudo estão em soft skills: comunicação assertiva (40% de distância entre atual e ideal) e inteligência emocional (36%).
Se a liderança do futuro precisa ser mais integradora, estratégica e humana, como aponta a pesquisa, o RH tem uma missão clara: não terceirizar para a tecnologia aquilo que define a essência das relações de trabalho, e sim buscar o equilíbrio para atingir de fato os melhores resultados. Afinal, engajamento não nasce de metas automatizadas, mas da relação com quem lidera. Retenção de talentos não se explica por algoritmos, mas por líderes que oferecem autonomia, crescimento e sentido.
Alta performance nasce desse invisível. A tecnologia pode, e deve, ser uma grande aliada, mas nunca um atalho. No fim das contas, ela mede resultados, mas só a liderança de verdade consegue fazer as pessoas quererem alcançá-los.
Andréa Dietrich, Cofundadora da Ambidestra, estrategista de transformação digital, Linkedin Creator, podcaster e palestrante. Lilian Cruz, Cofundadora da Ambidestra, podcaster e speaker, consultora e mentora em estratégia, inovação e transformação. São colunistas do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação.