Num destes fins de semana ouvi um comentário interessante sobre dois técnicos de futebol bastante conhecidos. Elogiaram as qualificações técnicas do Rogério Ceni, mas houve consenso que ele não sabe gerenciar pessoas e, sobre o Renato Gaúcho, disseram o contrário; não possui as mesmas qualificações técnicas, mas sabe tirar o melhor de cada jogador, e isso explica o melhor desempenho de sua equipe.

Mal comparando, a Diretoria de Futebol de um time profissional é mais ou menos igual ao RH de uma empresa. Negocia, contrata e dispensa jogadores conforme sugestões do Técnico, mas não escala, nem dirige o time em campo! No futebol profissional, o técnico é o Gestor, exerce o papel do Gerente imediato, como em uma empresa.

Vi, em minha vida profissional, muitos gerentes perderem o emprego, como o Rogério perdeu o posto no Flamengo, porque não conseguiram fazer a equipe render o esperado, exatamente como ocorre no futebol profissional! Eram excelentes players que fracassaram como gerente. Por quê?

Na grande maioria dos casos, não houve o preparo necessário para assumirem o novo cargo. Há uma mudança radical na função de um excelente colaborador individual ao ser promovido a Gerente. Passei pessoalmente por isso na minha primeira experiência gerencial, e sei o quanto errei e sofri por não estar devidamente preparado. Lamentavelmente, muitos se queimaram irremediavelmente por esse motivo.

A excelência profissional não é suficiente para gerir; é necessário desenvolver as capacidades de gestão e liderança, qualificações que não se desenvolvem de um dia para o outro! O ideal é ter para os cargos de carreira, um plano (carreer plan) que inclua o desenvolvimento das capacidades antes da promoção, seja através de cursos e seminários multifuncionais, e prática entre seu colegas.

Liderança e Gestão de Pessoas são como irmãs gêmeas, parecidas, mas diferentes. Líderes influenciam pessoas até mesmo sem querer; Gerentes recebem mandato para gerir pessoas que nem sempre lideram.

A Liderança é uma conquista pessoal, um poder exercido sem protocolos, enquanto a Gestão de Pessoas é uma função institucional cingida por normas e políticas definidas.

Alguns autores abordam Liderança e Gestão de Pessoas como uma coisa só pois na prática, a Liderança Funcional se funde na figura do Gestor Eficaz, mas insisto que requerem capacidades distintas.

A Liderança comporta qualificações pessoais para influenciar pessoas, como o poder de realizar resultados, autoconfiança e carisma. O tipo de liderança requerido nas empresas é o “Líder Organizacional”, e de estilo “Transacional” ou “Situacional”, conforme o modelo operacional.

Já a Gestão de Pessoas requer capacidades de Planejar, Organizar, Executar, Controlar, Comunicar, Conduzir e Motivar. Deve ainda dominar o Planejamento e Avaliação Individual de Desempenho e o Plano de Administração de RH, bem como conhecer o Plano e Gestão Estratégica da Empresa, orientando seus subordinados conforme as diretrizes da alta administração.

Havendo interesse em maiores detalhes, escreva-me, que atenderei com muito prazer. (graceffivicente@gmail.com)

Vicente Graceffi, consultor em desenvolvimento pessoal e organizacional. É um dos colunistas do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação.