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Tiago Petreca

Construir-se pede uma base sólida. Para ajudar nesta jornada trago provocações sobre a #vidaintegrada

Iris acorda todos os dias e sai para trabalhar. Lida com os problemas do dia a dia. Volta para casa, enfrenta os desafios do lar e vai dormir. Iris acorda e a história se repete.

Um dia, Iris acorda e as coisas não parecem fazer sentido. Iris olha no espelho e a imagem, de forma curiosa, olha de volta para Iris, como se tivesse vida própria e pergunta: Quem é você? Neste momento, Iris, mais assustado do que curioso, vira o rosto.

Mas a curiosidade o pega pelas orelhas e ele olha novamente para o espelho. Vê sua imagem. Ela se move com ele. Apenas reflete o que ele faz. Nada mais.

Ele vai ao trabalho. A experiência de Iris o ensinou a se adaptar ao mundo corporativo. Iris faz suas reuniões, dá suas ordens. Motiva o time. Tenta se motivar. A imagem que falou no espelho não sai de sua cabeça. Tenta se focar no que tem que fazer. Faz. Faz. Faz. Tudo do mesmo jeito. Sente-se forte enquanto faz. Sente-se incompleto, porém, inquieto. Por vezes feliz, sim! Mas hoje, inquieto.

Naquele dia, Iris chega em casa. Sua família toma um susto. A criança sai correndo, o cachorro late loucamente. Todos correm. O Cachorro continua latindo. O Vizinho aparece na janela, olhos esbugalhados, corre! O Cachorro já está rouco de tanto latir.

Iris sentia-se forte, inquieto mas forte. Porém, aquela situação pouco o incomodou. Deu de ombros e seguiu para seu quarto. Embora a situação tenha sido muito estranha e incomum, por estar forte e pensando na imagem no espelho, o resto pouco lhe importava.

A caminho do quarto, enquanto passava pelo corredor viu sua silhueta no espelho, pelo qual passou rapidamente. Parou! Deu um passo curioso para trás. Deu um grito que calou o cachorro de uma vez por todas.

Iris viu no espelho um ser gigantesco, mas não era ele quem ele via. Era uma armadura, escura, forte e fria. Olhou para si mesmo e notou que vestia aquela armadura. Correu para o quarto e despiu-se daquele metal, daquela máquina gigante que o cobria. Foi ao banho. Sua pele doía. Seus olhos ardiam. Dormiu, mas não descansou.

De manhã, não viu mais a armadura, apenas sua roupa de trabalho. O mesmo estilo de todos os dias. Vestiu-se. Comeu. Dirigiu. Chegou ao trabalho. Primeira demanda do dia. Como líder tinha que decidir. Não concordava, mas tinha que decidir. Sentiu seus ombros pesados. Tinha que dar feedback a um funcionário. Tinha medo de ser sincero. Suas pernas ficaram pesadas. Assim ao longo do dia ficava mais pesado arrastar-se pelos corredores, pelas salas e reuniões. Sentia-se forte apesar disso.

No meio do turbilhão do dia, lembrou-se de ir ao banheiro. Foi. Chegando lá, olhou-se no espelho. Lá estava ela, a armadura.

Iris apelou para suas crenças mais elevadas. Buscou caminhos, formas de ser melhor. Sabia que podia. Mais do que isso, sabia que devia.

Saiu de sua sala. Na porta, estava seu chefe! Viu um ser com armadura maior e mais forte ainda que a sua. Assustou-se, pensou em correr. Mas sua experiência como líder o fez ficar. Lidar com a situação. Sentia-se estranho dentro de sua armadura.

O apelo de Iris foi atendido. Retirou-se por alguns dias. Porém, não pediu dispensa nem licença. Foi atrás do encontro consigo mesmo. Todos entenderam. Afinal fazia parte daquela cultura os lideres se desenvolverem. Claro! Mas, pouco sabiam que se tratava de um desenvolvimento diferente. Um que buscava o essencial, a verdade de Iris, para que quando de volta a empresa pudesse entregar o seu melhor. Melhor do que já havia feito em toda vida. Tratava-se de um lugar onde abria as portas para conhecer um caminho para realizar no mundo, na empresa, na familia, na comunidade aquilo que melhor representava sua própria natureza. Seu Ser!

A caminho ouviu na rádio um filósofo falando da verdadeira natureza das coisas. Este filósofo falou da macieira. Sim, da fruta e da árvore. Do fruto, na verdade. O Melhor que a macieira poderia dar seria a melhor maça. Não daquelas turbinadas por um fertilizante anabolizado e que acelerava o nascer do fruto. Destas vem belos frutos, mas sem gosto, sem essência de maça. Embora fosse igualzinha a uma.

Neste tempo que se deu, Iris pode resgatar saberes que já tinha. Pôde se questionar sobre o que sabia. Foi provocado a olhar para seu contexto. Considerá-lo como um fato com o qual lidar. Pôde se ver. Se incomodar para depois acomodar-se em um novo estágio, em um novo momento. Aos poucos sua armadura foi dando lugar ao seu interior. Pode ver no futuro, um futuro que queria criar. Conheceu-se mais e melhor. Pôde aceitar-se. Aceitando-se, embora ainda incomodado, pode enxergar seu lugar. Pôde ligar-se de verdade com os fatos que o cercavam. Respirou diferente. Fez coisas diferentes, mas não para ser diferente e sim para ser ele mesmo, com todo o potencial que lá existe e estava há muito tempo pedindo para nascer.

Iris agora sabia qual era sua maça. Sabia de que era feito, ou pelo menos já tinha uma boa noção.

Voltou para a sua rotina que se fez nova dentro do mesmo. Estava a caminho de entregar o melhor fruto que poderia, dia após dia.

Sucesso ao viver sua vida e que não seja uma mera existência!

Tiago Petreca, diretor fundador e curador chefe da Kuratore – consultoria de educação corporativa, Country Manager da getAbstract Brasil e autor do Livro “Do Mindset ao Mindflow”. É um dos colunistas do RH Pra Você. Foto: Divulgação O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação.


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