Não é novidade que o uso exponencial da inteligência artificial na sociedade moderna transformou os processos de trabalho e gerou grande impacto econômico em diversos setores. Quando o mercado percebeu esse potencial de crescimento, iniciou-se uma onda de investimentos nas ferramentas e, hoje, a tecnologia tornou-se parte essencial de planejamentos administrativos de alta importância.

Segundo o estudo global “O Impacto da Tecnologia em 2026 e Além”, divulgado pelo Instituto dos Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE), a adoção em massa da IA capaz de planejar e executar tarefas com pouca interação humana acontecerá já em 2026.

Dessa forma, cada vez mais tarefas operacionais poderão ser automatizadas, mas isso não significa que empregos serão perdidos. Quando a liderança analisa o desempenho da empresa de forma estruturada, considerando sua capacidade produtiva e as demandas do mercado, ela consegue compreender que desenvolver e realocar talentos internos, já alinhados à cultura e aos objetivos da marca, é uma estratégia mais eficiente para impulsionar os resultados do negócio.

Segundo o Relatório sobre o Futuro do Trabalho de 2025, produzido pelo Fórum Econômico Mundial, cerca de 170 milhões de empregos serão criados até 2030, impulsionados pelo desenvolvimento tecnológico. A longo prazo, os novos profissionais serão formados por instituições de ensino com grades focadas em aprendizagem avançada; porém, a curto prazo, as empresas não têm o luxo de esperar os anos de graduação para contar com esses conhecimentos. Considerando esses aspectos, uma tendência para o próximo ano é a transformação dos treinamentos internos focados em aprendizagem, fundamentais para que os funcionários consigam dar continuidade ao trabalho.

Além disso, com essa integração em grande escala da IA, o valor do trabalho humano será redefinido. Diante da capacidade das ferramentas inteligentes de gerar insights a partir de grandes volumes de dados, é esperado que o colaborador tenha mais tempo para desenvolver pensamento crítico, análise de informações e criatividade, habilidades essenciais para lidar com problemas complexos e que a inteligência artificial não é capaz de reproduzir.

Partindo para uma visão mais ampla sobre o impacto global, vemos que países emergentes estão se aproximando dos mais desenvolvidos. As novas tecnologias contribuem para remover obstáculos à industrialização nas nações mais pobres e dão origem a novas formas de organizar a produção. Um exemplo é a agricultura, que representa grande parte do PIB brasileiro: a digitalização impulsiona a produtividade dos profissionais e melhora os meios de subsistência no meio rural.

Com essa perspectiva, veremos as profissões de TI presentes em setores que antes não lidavam diretamente com tecnologia. O Barômetro Global de Empregos em IA 2025 divide as profissões em duas categorias: “automatizadas”, aquelas em que a IA executa tarefas automaticamente, e “aumentadas”, quando a IA auxilia o ser humano a melhorar sua performance. O agronegócio registrou uma alta de 600% nas vagas de emprego “aumentadas” e 400% nas “automatizadas”, seguido pelo varejo, com aumento de 300% nas vagas “automatizadas”.

Por fim, acredito que a cada ano torna-se mais necessário que os profissionais se especializem em tecnologia dentro de diferentes áreas e desenvolvam o aprendizado para acompanhar as tendências inovadoras.

Gustavo Caetano é fundador da Samba, especialista em soluções digitais simples, inteligentes e eficazes que impactam significativamente os resultados, proporcionam vantagens competitivas e perpetuam com maturidade os clientes no mercado. É um dos colunistas do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação.