Ao final deste ano, sinto que não faz sentido falar apenas de resultados, indicadores ou metas cumpridas. O que mais me vem à mente são as pessoas que encontrei ao longo do caminho — em salas de reunião, em processos de mentoria, em conversas reservadas, em treinamentos, em mensagens enviadas fora do horário comercial. Pessoas que sustentaram o ano como puderam.
Foi um ano intenso. Intenso de verdade.
Escutei executivos cansados, líderes inseguros, profissionais sobrecarregados e equipes tentando se manter inteiras em meio a mudanças constantes, pressões por desempenho e decisões que nem sempre vinham acompanhadas de tempo para elaboração emocional.
Por isso, antes de qualquer análise sobre o futuro, este texto nasce como um agradecimento.
A quem liderou mesmo sem todas as respostas
Quero agradecer aos executivos e líderes que, mesmo sem terem todas as respostas, seguiram tomando decisões difíceis. Muitos carregaram o peso da responsabilidade sozinhos, lidando com impactos que iam muito além dos números: pessoas, histórias, famílias, trajetórias inteiras.
Vi líderes tentando equilibrar metas agressivas com cuidado humano. Nem sempre acertaram. Mas tentaram. E, em tempos como estes, tentar com consciência já é um gesto de coragem.
A quem trabalhou sentindo o peso do ano
Aos profissionais em geral, meu agradecimento é profundo. Vi pessoas entregando resultados enquanto lidavam com cansaço emocional, inseguranças, conflitos internos e a difícil tarefa de conciliar trabalho, vida pessoal e expectativas cada vez mais altas.
Vi gente competente duvidando de si. Vi talentos silenciosos se esforçando para não desaparecer. Vi profissionais que não pararam — mesmo quando o corpo e a mente pediam pausa.
Nada disso foi pequeno.
Ao RH, que esteve onde poucos quiseram estar
Quero agradecer de forma especial aos profissionais de Recursos Humanos. Ao longo do ano, estive muito próxima de RHs que sustentaram conversas difíceis, acolheram dores que não estavam nos manuais e tentaram manter coerência entre discurso e prática em contextos nem sempre favoráveis.
O RH foi chamado a cuidar, mediar, orientar, conter, explicar e, muitas vezes, a absorver tensões que não eram suas. Pouco se fala sobre o quanto o RH também se cansa, também se frustra, também se sente sozinho. Mas eu vi. E vi muito.
As conquistas que não aparecem nos relatórios
Apesar das dificuldades, houve conquistas que merecem ser reconhecidas. Empresas abriram espaço para conversas antes evitadas. Lideranças começaram a escutar mais. O tema da saúde mental deixou de ser apenas um discurso e passou a gerar movimentos — ainda imperfeitos, mas reais.
Vi pessoas se transformando. Vi pequenas mudanças de postura que fizeram grandes diferenças no clima das equipes. Vi mais consciência sobre limites, escolhas e responsabilidades.
Nem tudo virou case. Nem tudo foi celebrado. Mas muito foi construído.
Gratidão pela travessia
Este texto é, acima de tudo, um agradecimento pela travessia. Gratidão não por ter sido fácil — porque não foi —, mas por ter sido vivida com esforço, honestidade e, em muitos casos, coragem.
Que o encerramento deste ano permita um breve respiro. E que o próximo ciclo comece com mais consciência, mais humanidade e mais respeito pelos limites reais das pessoas.
A todos que cruzaram comigo este ano — executivos, líderes, profissionais, RHs — deixo aqui meu reconhecimento sincero. Obrigada por confiarem, por compartilharem, por seguirem mesmo quando parecia pesado demais.
Que possamos seguir, no próximo ano, não apenas fazendo mais, mas sendo mais inteiros.
Profa. Dra. Fátima Motta, Sócia-Diretora da FM Consultores. É uma das colunistas do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação.