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Jorgete Lemos

CEO da Jorgete Lemos Pesquisas e Serviços. Dir. de Diversidade ABRH Brasil; Membro do CORES/FIESP e Membro da Comissão Permanente da Mulher Advogada OAB-SP.

Finalmente estamos percebendo que as nossas empresas estão adotando uma estratégia de sucesso, com relação à abordagem do empoderamento feminino.

Trazer os homens para essa conversa é o óbvio e fundamental para entendermos o porquê dos comportamentos antagônicos à mulher em todos os ambientes e particularmente, no ambiente de trabalho.

Destacamos o ambiente de trabalho, pois diz respeito às oportunidades de intervenção do profissional da área de RH, em sintonia e parceira com as lideranças.

Que a diversidade é um dos pilares da sustentabilidade corporativa não há dúvida, mas que essa diversidade, incluindo pessoas com equidade, ainda percebemos restrições. Mas, temos uma certeza: não esperaremos décadas, séculos para essa equidade no que diz respeito à mulher. E o chamado vem da sustentabilidade.

CEPAL

Segundo a Comissão Econômica para a America Latina e o Caribe CEPAL, a “Autonomia feminina deve ser a base do novo modelo de desenvolvimento sustentável”.  Conforme o relatório da CEPAL, a América latina cresceu menos e as desigualdades e a pobreza aumentaram.

O número de mulheres sem renda própria, na região, em 2018 era de 27,5% , ainda maior que o dos homens nessa situação, 13,1%.

DIEESE

No nosso País, os dados referentes à Pesquisa do DIEESE, realizada no quarto semestre de 2019, apontam que as disparidades são mantidas, comparativamente aos anos anteriores, quanto à inserção das mulheres no mercado de trabalho.

RENDA

O Rendimento mensal médio das mulheres é 22% menor que o dos homens e mulheres com ensino superior, 28% menor, ressaltando-se que: mulheres tem salário desigual para o mesmo cargo.

Na região sudeste as diferenças são: Minas Gerais,-28%, Rio de Janeiro,-24%,  Espírito Santo, – 27%  e São Paulo, – 24%.

Nos demais estados a menor diferença entre os rendimentos está no Amapá – 5%  e a maior,no Mato Grosso do Sul, 30%.

USO DO TEMPO

Outro destaque fica para o tempo consumido pelos afazeres domésticos, representando 21 horas semanais para as mulheres, enquanto os homens destinam 10 horas a esses afazeres.

ATENÇÃO À INFÃNCIA

Por essa exposição de dados inferimos que as mulheres que trabalham não dispõem de tempo para a atenção aos filhos, principalmente aqueles que estão na primeira infância e demandam a frequência à creche. As que contam com o benefício creche concedido pela empresa não são a maioria ficando assim, a cargo do poder público o atendimento a essa demanda reprimida.

VIOLÊNCIA

Mas o pior é a violência contra a mulher. É nesse âmbito que as empresas vem atuando, porque tem visão e estão focando a sustentabilidade dos negócios e a sustentabilidade social, que destacamos a urgência e importância da abordagem dos vieses inconscientes.

Precisamos eliminar muitos mitos e temores acerca desses vieses, não naturalizando-os, simplesmente, mas trazendo o tema à superfície, sem o estigma da culpa e do erro, usando a comunicação não agressiva e conteúdo que auxilie as pessoas, homens e mulheres, a reverem sua trajetória de vida e identificar seus próprios vieses.

1º Identificar as suas suposições sobre os outros;

2º Sair da zona de conforto trabalhando  os seus vieses;

3º Desafiar seu status quo fazendo conexões com os diferentes;

4º Dividir conhecimento sobre vieses inconscientes com seu time ou pares;

5º Promover a autorreflexão e a análise de seus comportamentos e

6º Reconhecer que todos temos vieses inconscientes.

Resta identificar o fio desta meada.

Por que odiar as mulheres?

Estereótipos, preconceito, discriminação, misoginia, não necessariamente nessa ordem, mas todos provocam dores, doenças sociais e até a morte. Estamos acompanhando um crescimento vertiginoso nas agressões de toda ordem, sem fundamento, porque como seres racionais, a agressão é inaceitável.

Por que mulheres precisam conversar com os homens?

Porque muitos estão em sofrimento, perplexos, querendo mudar, mas sem saber como começar. Outros sabem e precisam ter o direito de falar para todxs.

Se alguns homens foram ensinados e estimulados a adotarem comportamento machista, sexista,misógino, precisamos, urgentemente, falar sobre esses temas em nossos ambientes de trabalho e mais do que abordar esses temas, praticar atitudes e comportamentos de respeito em toda estrutura organizacional.

Se fomos ensinados a odiar, também podemos ser ensinados a respeitar. O momento é de desconstrução. Não temos tempo a perder.

E não nos esqueçamos:

“Eu quero que os homens comecem essa luta para que suas filhas, irmãs e esposas possam se livrar do preconceito, mas também para que seus filhos tenham permissão para serem vulneráveis e humanos e, fazendo isso, sejam uma versão mais completa de si mesmos”Emma Watson, embaixadora global da Boa Vontade da ONU Mulheres

Por Jorgete Lemos, sócia fundadora da Jorgete Lemos Pesquisas e Serviços – Consultoria. É uma das Colunistas do RH Pra Você. O conteúdo desta coluna representa a opinião do colunista. Foto: Vídeo Documentário – O Silêncio dos Homens


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