CANAL

Alberto Ogata

Médico, Mestre em Medicina e Economia da Saúde/UNIFESP, Doutor em Saúde Coletiva/USP, Ex-Presidente IAWHP, Professor e Dir. de Responsabilidade Social/FIESP.

A volta gradual às atividades normais após o isolamento social imposto pela pandemia do vírus COVID-19 trará mais um desafio aos profissionais que atuam com o benefício-saúde nas empresas.

Ao longo dos últimos meses, houve uma grande e abrupta mudança no padrão de utilização dos planos de saúde, inclusive por algumas decisões da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) em relação a coberturas de exames e procedimentos. Alguns prestadores (como clínicas, laboratórios e hospitais) tiveram uma redução importante no faturamento e, com o aumento das taxas de desemprego e da recessão econômica, certamente haverá uma queda no número de beneficiários da saúde suplementar.

Além disso, muitas operadoras passaram a utilizar a telemedicina no cuidado em saúde, em níveis diferentes e aplicando valores de remuneração muito variáveis. Certamente há uma demanda reprimida de consultas, exames e procedimentos não urgentes que deverá ser utilizada ao longo dos próximos meses.

Esta realidade exigirá uma atenção redobrada dos gestores de benefício-saúde nas áreas de recursos humanos. Certamente surgirá uma flutuação nos custos médico-hospitalares, com impacto na sinistralidade e o acompanhamento deverá ser cuidadoso. Além disso, algumas operadoras de saúde e prestadores terão incapacidade financeira para continuar atuando no mercado. Neste contexto, é importante acompanhar o estado da operadora na sala de situação disponível no site da ANS.

Neste momento, é importante a integração com a área de saúde ocupacional pois muitos trabalhadores foram afastados por estarem doentes ou por terem contato com pessoas contaminadas com o COVID-19. O acompanhamento constante da situação da força de trabalho atuante e a afastada é fundamental para o planejamento das ações. Muitas pessoas que retornarão do confinamento podem estar com problemas de saúde, como dores nas costas, no pescoço, depressão, ansiedade, cefaleias e outras condições que exigirão um acompanhamento cuidadoso.

Este período será uma oportunidade importante para identificar os trabalhadores com fatores de risco e/ou condições crônicas como obesidade, pressão arterial elevada, diabetes, problemas pulmonares e sedentarismo. Como pudemos constatar, estas condições aumentam não só o risco das doenças crônicas (como doenças cardiovasculares, câncer e derrame cerebral) mas também de complicações em doenças agudas (como a pneumonia por COVID-19). Os trabalhadores podem estar mais sensibilizados e abertos para as ações preventivas e de controle da saúde.

Finalmente, é fundamental que o gestor de benefícios mantenha contato constante com a operadora de saúde, a consultoria (se houver) e a área de saúde ocupacional para ter um cenário completo da situação e evitar medidas apenas reativas ou corretivas.

Por Alberto Ogata, presidente da Associação Internacional de Promoção de Saúde no Ambiente de Trabalho (IAWHP). É um dos colunistas do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação


De 1 a 5, quanto esse artigo foi útil pra você?
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5


0 Comentários

COLUNISTAS

Tiago Petreca

O que se quer: Da Carne à Alma

19/11/2020

Gustavo Caetano

Como motivar os colaboradores usando o conceito de pirâmide de Maslow

16/09/2020

Leila Navarro

Sonhar diante a uma Pandemia?

07/08/2020

Gustavo Mançanares Leme

O mundo das Plataformas – Não dá para mudar sem mudar

28/08/2020

Gustavo Caetano

Como manter a produtividade em tempos de Coronavírus?

23/04/2020

Jorgete Lemos

Diversidade & Inclusão & Equidade. O Importante e o Urgente

07/02/2020
Athomus Tecnologia da Informação