Quantas pessoas negras trabalham na sua empresa? Em quais cargos elas estão?

Pessoas negras (pretas e pardas) representam 57% da população brasileira, mas ocupam menos de 5% dos cargos executivos nas grandes empresas, segundo o Instituto Ethos.

Este dado mostra que temos um “desequilíbrio”. E é sobre isso que precisamos agir: sobre consciência, oportunidade e responsabilidade.

Mas, o que é o Dia da Consciência Negra?

É uma oportunidade para conhecer a verdadeira história das coisas, valorizar a cultura afro-brasileira, refletir sobre os efeitos do racismo estrutural presente em nossa sociedade e, principalmente, agir.

Francisco Zumbi, o Zumbi dos Palmares, é o protagonista citado no Dia da Consciência Negra, mas quem foi ele?

Nascido em 1655, Zumbi fundou o Quilombo dos Palmares e foi morto em 20 de novembro de 1695. O delator, Capitão Furtado de Mendonça, recebeu 50 mil réis de D. Pedro II como recompensa.

Zumbi teve a cabeça cortada, salgada e levada ao governador Melo e Castro, para ser exposta em praça pública.

Em 2003, o dia foi oficializado no calendário escolar pela Lei nº 10.639/03, alterada pela Lei nº 11.645/08, que tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena no currículo da educação básica. Em 2011, foi criado o Dia Nacional de Zumbi, celebrado no dia 20 de Novembro, que também é o “Dia Nacional da Consciência Negra”.

Valeu o sacrifício de Zumbi?

Ainda hoje, quantas vezes ouvimos: "Não temos negros na liderança porque não há candidatos qualificados".

Essa frase mostra como o problema não é falta de talento e, sim, falta de flexibilidade, abertura para procura e uso de novas fontes de oferta de talentos. 

Cenário atual das corporações

A Pirâmide dos Privilégios Raciais no Brasil: quando olhamos para dentro das empresas, o retrato ainda é desigual:

A Pirâmide dos Privilégios Raciais no Brasil é um conceito usado para ilustrar a hierarquia social e econômica baseada em raça no país. Essa pirâmide mostra como diferentes grupos raciais ocupam posições desiguais em termos de acesso à renda, educação, oportunidades de trabalho e direitos sociais (Fonte: Psicólogo Felipe Gonçalves Bacchiega).

O Teste do Pescoço

O "teste do pescoço" é um exercício de observação social para identificar a sub-representação de pessoas negras em determinados espaços, como universidades, hospitais de ponta, cargos de liderança e áreas de luxo.

Consiste em "virar o pescoço" para contar a proporção de pessoas negras em comparação com as brancas em vários ambientes e analisar a posição social em que os negros se encontram (se estão servindo ou sendo servidos, por exemplo).

Pacto narcísico da branquitude

O racismo nas corporações muitas vezes não é explícito. Ele aparece nas pequenas coisas, nas oportunidades que não chegam, nos padrões de perfil que excluem desde a entrada, e na ausência de referências negras nos espaços de poder.

Quantas vezes você viu uma mulher negra liderando uma reunião na administração da sua empresa?

A atriz Belize Pombal. Na novela Vale Tudo, Consuelo chegou à presidência da empresa.

Enquanto a representatividade for exceção, não há igualdade. Precisamos de proporcionalidade.

Como diz a Profª Drª Maria Aparecida Bento, há um acordo tácito e não verbalizado entre pessoas brancas para assegurar seus privilégios e manter o poder em instituições e na sociedade em geral. Ele se manifesta através de uma cumplicidade silenciosa que perpetua estruturas nas quais a liderança é majoritariamente branca e masculina, atribuindo essa posição à competência e ignorando o histórico de privilégios herdados de séculos de escravização e exploração.

Consciência Negra nas empresas

Ter Consciência Negra na Corporação é entender que diversidade racial não é marketing, é uma estratégia de inovação e justiça social.

Para tal, há que se:

  1. Reconhecer: admitir que existe desigualdade racial no ambiente de trabalho.
  2. Valorizar: dar visibilidade a profissionais negros, suas vozes e histórias.
  3. Reparar: criar políticas e práticas que corrijam séculos de exclusão.

Quando uma empresa cria um programa de trainee só para pessoas negras, por exemplo, ela não está dando privilégio; está buscando equidade.

Como as corporações podem agir

 Da Consciência à Ação, começando em três frentes: cultura, processos e liderança. 

  1. Cultura:
  • Promover formações sobre viés inconsciente e antirracismo;
  • Apoiar grupos de afinidade e redes de funcionários negros;
  • Valorizar datas e referências afro-brasileiras de forma educativa, não simbólica. 
  1. Processos:
  • Revisar recrutamento e promoção com critérios claros;
  • Garantir diversidade em painéis de entrevistas;
  • Medir e publicar indicadores raciais. 
  1. Liderança:
  • Líderes precisam ser aliados ativos, não espectadores;
  • Metas de diversidade devem estar ligadas à performance de gestão.

Consciência Negra nas corporações não é sobre culpa. É sobre compromisso. É sobre olhar para o lado e garantir que todos tenham as mesmas chances de crescer.

A mudança começa quando deixamos de perguntar por que não há negros aqui e começamos a agir para que haja.

Por Jorgete Lemos, CEO da Jorgete Lemos Pesquisas e Serviços – Consultoria Organizacional. É uma das Colunistas do RH Pra Você. O conteúdo desta coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação.