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Fátima Motta

PhD em C.Sociais e mestre em Adm. Especialista em comportamento e liderança. Professora. Psicanalista. Coaching. Sócia-Diretora da F&M Consultores.

Expressar as emoções, nomeando-as: um bom começo

Grande parte das pessoas possui dificuldades em falar sobre suas emoções. Ao mesmo tempo, percebemos o aumento gradativo de casos de doenças relacionadas à saúde emocional.

Daí a importância de nos expressarmos. Caso contrário, essas emoções ficam travadas dentro de nós e nos levam a comportamentos explosivos, além de graves problemas físicos. É preciso dar conta de que elas existem e, assim, compreendê-las. “O que tem causado essa preocupação?”. “Qual o gatilho que fez com que eu me preocupasse?”. “Será que é algo real ou ilusório?”

Sobre essa última pergunta, é fundamental distinguirmos nossas emoções com relação àquilo que, realmente, existe, sem criar “fantasmas internos”. Separar fatos de ilusões, pensamentos reais de ilusões da percepção que podem gerar emoções distorcidas.

Expressar sentimentos e emoções na hora certa e para a pessoa certa faz toda a diferença no nosso modo de ser e agir, e na qualidade do nosso cotidiano. Isso porque vai impactar no comportamento e na maneira de olharmos tudo ao nosso redor.

Por que não falamos sobre nossas emoções?

Falar sobre nossas emoções é uma atitude saudável, então, por que as pessoas têm, ainda, tanta dificuldade?

Em primeiro lugar, por medo do julgamento.  “O que irão falar se seu disser o que estou sentindo no momento?” .“Tenho muito medo de magoar as pessoas.” .“Não falo porque tenho medo de ser inadequado”. “Tenho medo”.

Talvez, o medo de falar sobre as próprias emoções esteja ligado à expectativa que esperamos de quem está nos ouvindo. No fundo, esperamos aprovação. Queremos que o outro fale aquilo que queremos ouvir.

Por muitas vezes, porém, não falamos por não entender o que estamos sentindo em determinado momento. Não fomos ensinados a falar sobre nossas emoções e, pior, tivemos nossas emoções reprimidas, sendo incentivados a esconder aquilo que nos incomoda. Por exemplo: qual a diferença entre a mágoa, a tristeza e a raiva? Como defino isso dentro de mim?

Neste momento difícil que estamos atravessando, em razão da pandemia, existem emoções que são inevitáveis, por exemplo, medo, preocupação, angústia e ansiedade.

Mais um motivo para que nos expressemos, senão, esses sentimentos que nos agonizam tendem a crescer, seja no ambiente familiar, profissional ou afetivo.

O medo da expressão das emoções, na maioria dos casos, pode estar relacionado a traumas de infância ou situações que, por algum motivo, causaram constrangimento ou tristeza. Assim, quando abrimos nossas emoções a alguém, estamos dizendo, em outras palavras: “quero muito compartilhar com você e preciso que você me escute”.

Falar sobre as emoções positivas como forma de lidar com as emoções difíceis

Temos o hábito de não expressarmos, inclusive, emoções positivas, como a felicidade. Nem sempre demonstramos o quanto estamos felizes em estar com alguém ou reencontrar uma pessoa estimada, quando recebemos um abraço ou pelo reconhecimento por um trabalho bem desempenhado.

Tomemos como exemplo o Dia das Mães. As pessoas preenchem as redes sociais com declarações de amor e afeto, mas será que essas declarações foram, de fato, ditas a quem se destinam? Ainda há muita dificuldade em falar “eu te amo”. Assim como expressar nosso bem-estar, nossa gratidão, motivação…Enfim, pequenas coisas que podem nos ajudar a vencer momentos difíceis.

Independentemente de serem emoções positivas ou negativas, só precisamos aprender a lidar com elas.

E mais: na medida em que falamos sobre nossos sentimentos, damos abertura para que o outro também expresse suas angústias, medos, inseguranças e alegrias e criamos uma conexão mais genuína.

A partir do momento que falamos, organizamos nossos sentimentos, mesmo que tenhamos que falar repetidas vezes o que nos incomoda.

Nós, seres humanos, temos essas emoções porque, no fundo, elas nos defendem e nos protegem. Por outro lado, ao potencializarmos nossos sentimentos, podemos incrementar nossa motivação para a ação.

Ou seja, falar das emoções é uma forma fundamental para lidar com as emoções difíceis. Por outro lado, falar das emoções positivas é, ainda mais, uma forma de lidar com as que são mais dolorosas e preocupantes. É como se, ao lembrar das emoções positivas, as que podem ser consideradas menos satisfatórias perdessem um pouco sua força. 

No mundo corporativo

Trazendo essa reflexão para o mundo corporativo, sentimos que a maioria das pessoas têm medo de falar e acabam por recorrer às máscaras que disfarçam suas verdadeiras emoções. Os medos são os mesmos que os citados acima, acrescidos da insegurança pela possibilidade real ou imaginária da perda de emprego ou da discriminação.

Isso explica o aumento de casos de afastamentos por depressão, síndrome do pânico, entre outros problemas ligados à dificuldade de se lidar com as emoções.

Quando existe espaço para falar sobre nossas emoções e nos sentimos acolhidos e ouvidos, o sentimento de pertencimento e comprometimento aumenta. No entanto, acontece um problema bastante recorrente junto aos líderes: não sabem o que fazer quando percebem a necessidade de ouvir essas emoções. E a resposta é: não há necessidade de fazer nada. Apenas receba, acolha e dê à pessoa a possibilidade de sentir da sua forma mais genuína possível.

Se necessário, quando a situação se apresentar de forma muito grave, oriente-a na procura de ajuda profissional, com a mesma naturalidade que você direciona alguém a procurar um médico quando está com algum sintoma mais sério. 

Concluindo

Emoções positivas são um grande antídoto para lidar com as emoções difíceis e ter espaços seguros para falar de ambas, expressá-las, é um grande passo para aprender a reconhecê-las e iniciar um caminho de aprendizagem muito rico. É isso mesmo… iniciar… porque o caminho é longo, cheio de retas e curvas, mas com paisagens riquíssimas que potencializam o que sabemos de nós mesmos.

E você? Como tem expressado suas emoções? E como isso tem refletido no seu dia a dia?

Profa. Dra. Fátima Motta, Sócia-Diretora da FM Consultores. É uma das colunistas do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação.


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