Há muitos anos militando em gestão e consultoria empresarial, confesso que não lembro de ter visto um cenário econômico-financeiro tão complexo, com índices e perspectivas tão controversas para 2026.
Nas cogitações econômicas temos inflação caindo, mas Selic de 15% a.a., baixo índice de desemprego, vagas não preenchidas por falta de candidatos qualificados e não qualificados, mas elevado percentual de dependentes de benefícios sociais, PIB indo de 2,5% para 1,8%, prejuízos enormes das estatais.
A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) proposta prevê superavit primário de 34 bilhões dependendo de tributação das bets, fintechs, redução de 20 bilhões dos benefícios fiscais, mais a inclusão da antecipação das emendas parlamentares antes da liberação da propaganda eleitoral.
A LDO de 2026 para o governo federal do Brasil não especifica um percentual único e fixo para investimentos, mas define metas fiscais e diretrizes gerais, com os valores exatos e percentuais a serem detalhados na Lei Orçamentária Anual (LOA) posterior.
Convém lembrar que em 2026 teremos a implementação da Reforma Tributária (Emenda Constitucional nº 132/2023), que prevê uma transição gradual, começando com testes em 2026 e a plena vigência em 2033. Recomendo um cuidado especial com os custos trabalhistas ainda não totalmente definidos.
Na política externa as controvérsias não são menores; apesar da grande influência do mercado americano e dos países latino-americanos com crescente alinhamento de direita, e estando o Mercosul em busca do acordo com a União Europeia, o governo brasileiro é, declaradamente, de esquerda, facilitando a entrada da China e alinhado com a Venezuela, Cuba, Irã, Rússia, incluindo as instituições terroristas como Hamas, Hezbollah, Al-qaeda, Houthis e outros.
Quanto à política interna, temos enorme turbulência devido a corrupção desmedida envolvendo as principais autoridades dos três poderes. Prevalece o esquema de cooptação envolvendo verbas públicas, manipulação contábil e índices duvidosos!
Se não bastasse, ainda temos as eleições polarizadas, com significativa oposição, e grande risco de mudança nas esferas legislativas, incerteza quanto a reeleição do atual mandatário devido aos desastrosos resultados das estatais. O poder judiciário visivelmente politizado, e sob questionamento internacional, tampouco garante estabilidade jurídica.
O cenário econômico nacional prevê que os setores de serviços, agronegócio, energia limpa, infraestrutura e tecnologia devem proporcionar crescimento mais acentuado que os demais setores, dependendo da disposição do capital privado correr os riscos conjunturais. A expectativa do mercado é de que a taxa básica de juros (Selic) caia para cerca de 12,13% ao ano até o final de 2026, com a inflação projetada próxima de 3,9%, e o PIB cresça 1,8% ou 1,7%.
As oportunidades são reais, mas novos investimentos privados refratários a risco tenderão a ser postergados até uma visão mais nítida do cenário político, o que significa audácia com cautelas até o fim do ano.
Vicente Graceffi, consultor em desenvolvimento pessoal e organizacional. É um dos colunistas do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação.