Intrigado pela diversa interpretação que o ser humano possui sobre assuntos no qual não vivenciou, os preconceitos, as análises sem embasamento, as escolhas que são feitas por ele mesmo sabendo que elas muitas vezes não serão benéficas a longo prazo, me peguei recentemente prestando mais atenção sobre como é importante começarmos a analisar o todo o processo de decisão.

Como é que atualmente, com essa quantidade absurda de informações e uma quase obrigação de ter opinião sobre tudo, estamos chegando às conclusões que indicam nossos próximos passos?

Questões simples como essas impactarão meu futuro? Terei que resolver novos problemas? Esse desempenho no meu trabalho, no meu time de esporte, no curso de autodesenvolvimento fará com que eu construa uma vida plena e próspera?

Grande personalidade do Vale do Silício, David Kelley, professor da universidade de Stanford, e autor do livro “Design Thinking- uma metodologia poderosa para decretar o fim da velhas ideias”, recebe o crédito pelo termo “design thinking” (arquitetura de escolha) – que vem vem conquistando cada vez mais adeptos.

O conceito começou sendo utilizado principalmente para elaboração de políticas públicas em países como Inglaterra, Estados Unidos e Austrália, por equipes governamentais que ficaram conhecidas como “nudges unit” (equipe de cutucões).

O conceito “Nudge” foi criado por Richard Thaler e Cass Sunstein e ganhou destaque em 2017 no anúncio do Nobel de Economia, demonstrando que os “cutucões” podem ajudar as pessoas a chegar em melhores decisões sobre questões de saúde, riqueza e felicidade. Isso levanta uma bandeira de descoberta e evolução, assim como um questionamento sobre a cultura e a forma de viver de cada pessoa.

Mas por que é preciso um método ou política de tal magnitude? E por que isso está sendo discutido nos bastidores acadêmicos, de empresas de tecnologia e em premiações do Nobel?

O resumo está exatamente na complexidade de nós, seres humanos, que possuímos dois sistemas cognitivos: razão e emoção. E esses dois sistemas interferem na interpretação do outro o tempo todo.

Tudo basicamente depende do mapeamento de tarefas e objetivos que você possui na sua vida. E para tornar isso mais simples, é fundamental que façamos questionamentos que parecem simples, mas que muitas vezes deixamos de fazer no dia a dia.

  • Quais são seus objetivos?
  • Aonde pretende chegar?
  • Você tolera a rotina necessária para alcançar o que quer?
  • As pessoas com quem você anda te aproximam do seu objetivo ou te distraem?
  • Você quer ser distraído?
  • Seu corpo está sendo suficientemente abastecido para alcançar essa performance?
  • Você treina também a sua mente?

Exercícios nunca se limitaram somente ao corpo. A mente também precisa ser exercitada, constantemente, e muitas vezes de forma mais intensa que seu físico.
Assim como os músculos se moldam de acordo com o exercício realizado, nós adquirimos comportamentos semelhantes das pessoas com quem convivemos e apreciamos. Tanto corpo quanto mente se acostumam com a “carga” com a qual ele se exercita, acostumando-se por meio do hábito.

Após alguns anos trabalhando com mercado financeiro, ficou claro para mim o quanto muitas pessoas tomam decisões baseadas em questões puramente emocionais, mesmo que maléficas para sua prosperidade.

E os simples questionamentos sobre as razões para cada uma dessas decisões pode ser um exercício fundamental para evoluir nesse sentido, o “nudge” que faltava para você também iniciar esse novo movimento e questionar consumos, rotina e, principalmente, seus verdadeiros objetivos.

Você está tomando as decisões corretas?

 

Por Roberto Aloisio Junior, assessor de investimentos da Cap Capital Assessoria de Investimentos. Também fundou a Evolua, uma plataforma com sete pilares que envolve autoconhecimento para transformar vidas a partir da ação.