Em tempos em que o sucesso ou insucesso profissional está voltado para cada pessoa, ser protagonista é uma  questão de sobrevivência.  

Tenho lido, ouvido e principalmente refletido muito sobre o assunto, até para conseguir responder para mim mesma:  “O que realmente se espera quando uma empresa diz que seus colaboradores devem ser protagonistas?”  

Meu lado cômico (sim, tenho um lado divertido que adora alguns assuntos!) neste momento fica imaginando todos  tentando desesperadamente, ao mesmo tempo e no mesmo palco ser o “ator ou a atriz principal” de uma peça onde  cabe somente um protagonista. 

“Vencerá” aquele que fizer a “cena” mais bonita e sobreviver aos empurrões e gritos “sai daí, agora é minha vez!”.  Acredito que muitos de vocês também imaginaram, ou já viram, esta cena que acabei de descrever.  

Na cena que cada um criou mentalmente, onde você ficou? Qual foi o seu papel? Ou vai me dizer que você ficou fora  de cena?

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Se alguém se viu fora da cena, talvez não saiba que é justamente este o lugar certo.  

Sim, estar fora de cena é necessário! Surpreso, Surpresa? Contraditório?  

Nem tanto, vamos refletir juntos: Pensem no número de profissionais que estão envolvidos em uma peça de teatro,  por exemplo. São maquiadores, cenógrafos, diretores, técnicos de iluminação, bilheteiro, camareira…e olhem,  também temos atores e atrizes protagonistas ou não!  

Cada um dentro de sua especialidade, tendo a responsabilidade de construir juntos a melhor peça de teatro dos  últimos tempos.  

Então responde aí pra mim: 

– Como uma camareira é protagonista? Como um iluminador pode ter seu “momento de estrela”? E onde esta história  chegará?  

Vou te contar onde quero chegar, ops, melhor, vou te contar como penso que vamos iniciar o assunto “ser  protagonista dentro de uma empresa”, pois não vamos chegar, vamos iniciar!  

1º) Não somos protagonistas, nos tornamos protagonistas!  

Ufa! Temos chance então. Sim, temos chance!  

Uma ótima notícia para quem sabe aproveitar as chances, pois ter uma chance não resolve nada se você não evoluir  a sua postura perante o contexto que você atua.  

Pensando no exemplo da camareira: Imaginem se ela resolver não conservar e manter em bom estado as peças de  vestuário que serão utilizados no espetáculo ou decidir que não irá mais auxiliar o elenco a se vestir?  

Então fica a dica: seu papel no espetáculo é o mais importante, faça o seu melhor agora, pois estamos Ao Vivo.  

Neste espetáculo, como no teatro, o conhecimento de cada um tem que ser colocado em prática e isto depende  somente de você. 

Não é sustentável para nossa carreira culpar os outros pela nossa atuação ruim ou ridiculamente inconsequente.  Cuide-se!  

2º) Não temos iluminador em nosso “espetáculo”!  

Eis uma informação importante, NÃO TEMOS UM ILUMINADOR!  

Ninguém criará efeitos de luz, determinará as cores, intensidades ou sequência dos acendimentos dos  refletores…Boa notícia esta! 

O que deve brilhar, sem ofuscar ninguém, é a sua luz própria e ela deverá ter um ajuste de intensidade automático  para não exagerar na dose ficando fora do propósito. 

Mas sempre…você sempre deverá gerar luz para os que estão ao seu lado.  

Seus valores alinhados com os da empresa e suas competências são grandes aliados de sua luz interna. Use bem! 

3º) O palco é coletivo (bem coletivo)!  

Palco coletivo, não é um palco é uma arquibancada (adoro arquibancadas, me lembro do meu tempo de atleta, mas  isto é assunto para outra hora. Vamos seguir!).  

Diferente de um espetáculo onde os atores e atrizes protagonistas fazem suas apresentações e mostram seu talento  ficando cara a cara com o público, o palco que temos na empresa é coletivo (muitas vezes com mais de 5.000 pessoas). 

Este palco poderá estender-se em andares diferentes, cidades diferentes, países diferentes. Não existem paredes ou muros no palco coletivo.  

Saiba utilizar este espaço!  

4º) O público não é de fãs, tietes, fanáticos…! 

Que chato isto! Sem glamour este protagonismo.  

O “glamour empresarial” está na sintonia do coletivo. 

Nosso público, chama-se clientes e estão ansiosos pela nossa melhor atuação. 

Você não vê, mas eles estão sentados bem ali, na primeira fileira, são os nossos espectadores pagantes e por isto,  fizemos a reserva para eles nas melhores poltronas.  

Lembre-se disto!  

5º) Hora do fechamento do borderô!  

Borderô? Sim, você achou que esta história toda de protagonista era uma analogia bonitinha e não tinha fechamento  de caixa? 

Enganou-se!  

Para nos tornarmos protagonistas empresariais precisamos saber o valor que a nossa atuação gera para a nossa  carreira e consequentemente para a empresa.  

Perguntas que irão te ajudar nesta análise: 

Quantos espectadores pagantes (leia-se clientes) você fidelizou ou conquistou? (Se para responder esta pergunta você pensou: “não sou do comercial e não tenho como fidelizar ou conquistar clientes”, esquece esta ideia de  protagonismo e boa sorte! Não entendeu nada ainda.) 

Seu “caixa” está positivo, ou seja, seu trabalho tem e gera valor para você e para o coletivo? (Se nunca pensou nisto,  comece já!) 

Você sabe qual a programação de “espetáculos” (planejamento estratégico) que a sua empresa tem para manter-se  sustentável? (Espero que sua resposta seja sim). 

E você está se preparando para fazer parte deste futuro da empresa ou está parado esperando te contarem? (Se a  sua resposta for que está esperando, pode ir para a fila da bilheteria comprar seu ingresso e se preparar para assistir  ao show, pois seu lugar não é no palco coletivo da empresa que você está). 

PROTAGONIZE! 

Tá no palco ou tá na fila?

Por Georgette Iara U. Heineck, Business Partner & Culture Manager. Tem mais de 20 anos de experiência em RH, principalmente na liderança de projetos estratégicos em empresa de Tecnologia da Informação nos últimos 15 anos. Sua expertise inclui uma ampla gama de áreas, como recrutamento, seleção, onboarding, comunicação interna, employee experience, compliance, consultoria interna, formação de jovens talentos, desenvolvimento de lideranças, gestão de performance, sucessão, gestão de clima, fusões e aquisições, e offboarding. 

Ouça o episódio 190 do podcast RH Pra Você Cast, “Como eu venci a Síndrome do Impostor“. De acordo com um estudo da KPMG, divulgado em 2023, 75% das executivas brasileiras já enfrentaram a Síndrome do Impostor.

Marcada por sentimentos que vão da baixa autoestima ao perfeccionismo excessivo, a condição impacta não só a vida profissional, como também pode deixar sequelas na rotina pessoal. Para falar mais sobre a síndrome e, principalmente, entender como ela pode ser prevenida e combatida, convidamos a mentora e palestrante Thereza Cristina Moraes, que já sentiu na pele o que a Síndrome do Impostor pode causar. Confira!

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Capa: Depositphotos