Departamentos de RH de empresas de diferentes portes e segmentos comumente compartilham dos mesmos problemas: alta taxa de rotatividade, dificuldades para atração de talentos e baixa produtividade. São questões que persistem ao longo dos tempos e que trazem impactos financeiros para as corporações.

Portanto, chegou a hora do reboot no RH. Quem usa computador há algum tempo entendeu o que quero dizer. Um reboot é necessário quando os processos estão “travados”, e uma solução simples, como parar tudo e reiniciar, pode fazer o sistema voltar a funcionar como o esperado ou até mesmo apontar onde estava o problema.

Nas áreas de RH, com um simples reboot será possível identificar que o que falta é um upgrade: deixar de apenas gerir o departamento pessoal e passar a desenvolver a gestão da experiência humana, o Human Experience Management (HXM), que é uma forma de repensar e remodelar o RH moderno, de modo que a companhia siga uma cultura de inovação e de melhorias contínuas, colocando o colaborador no centro dos processos internos.

Esse upgrade começa com uma mudança de mindset, de recursos e ferramentas, que fazem com que a experiência do colaborador seja parte ativa do seu projeto corporativo. O HXM representa uma inversão do conceito – que muitos já consideram antigo – da gestão de capital humano, no qual era necessário encaixar o colaborador no ecossistema de processos da empresa. Agora, essa lógica foi invertida: chegou a hora de adaptar os processos às pessoas.

Com isso em mente, a nova filosofia pretende não apenas melhorar o bem-estar geral do time em relação à companhia e sua cultura organizacional, mas realmente potencializar os resultados e tornar o ambiente de trabalho uma experiência rica em vários sentidos para o colaborador. Em resumo: o modelo HXM não busca apenas fazer pequenas melhorias ou atuar de forma pontual na estratégia de gestão de pessoas, mas sim redesenhar as experiências para ter o colaborador como prioridade, de modo que atinja cada ponto de contato do RH com ele.

E o modelo é aplicável a todo o ciclo de vida do profissional na empresa: desde o recrutamento, passando pelas etapas de aprendizado e desenvolvimento, e até na aposentadoria.

Uma pesquisa realizada pela Gallup em 2017 identificou que, em empresas altamente engajadas, há uma redução de 41% no absenteísmo — ou seja, atrasos ou faltas frequentes. Nestas mesmas empresas ouvidas pela pesquisa, inclusive, foram observados um aumento de 20% nas vendas e uma lucratividade em média 21% maior. Com isso, houve também um impacto nas avaliações dos clientes, que tiveram aumento de 10% em satisfação.

Outro estudo mais recente realizado pela Gallup identificou que focar no engajamento dos colaboradores leva ao aumento de produtividade, com três vezes mais receita por profissional e 40% menos rotatividade. Isso se tornou ainda mais importante com a pandemia de Covid-19, que obrigou as empresas a adotarem modelos de trabalho remotos e mais flexíveis, como o home office. Neste caso, promover uma cultura mais agregadora, próxima, inovadora e engajadora virou quase uma obrigação.

Hoje já existem no mercado soluções de tecnologia que atuam em prol da implantação do modelo HXM. O foco é exatamente neste novo momento que prioriza o home office (ou até mesmo o anywhere office), digitalizando processos que antes eram completamente presenciais, por exemplo.

Profissionais recém-contratados já podem enviar suas documentações de forma totalmente digital, o que é um cuidado extremamente valorizado por quem quer evitar o deslocamento até o local de trabalho. Além disso, as empresas podem passar a realizar digitalmente avaliações de performance e atingimento de metas individuais, ambas determinantes para manter a companhia produtiva e competitiva, e garantir o desenvolvimento de carreira de cada colaborador.

Para valorizar e incentivar a capacitação dos colaboradores, é possível investir em tecnologias que utilizam gamificação para entender, medir e trabalhar as habilidades dos profissionais e para apoiá-los no desenvolvimento de suas human skills (habilidades humanas), que hoje são tão importantes e impactam diretamente no desempenho e produtividade dos profissionais.

Por isso, ao identificar que seu RH está com problemas, considere fazer um reboot. Pare, pense no que pode ser mudado e pense em uma mudança de filosofia com base no HXM. É uma forma muito sólida para a criação de experiências que permitam que candidatos, novos contratados, recrutadores, colaboradores e gestores trabalhem mais rápida, fácil e intuitivamente. É uma relação ganha-ganha que se reflete em todos os lados: colaboradores, companhia e até mesmo nos clientes.

Reboot no RH: o colaborador no centro pode ser a solução

 

Por Robson Campos, diretor de produtos de RH da TOTVS.