É comum pressupor que a pergunta acima é ofensiva, afinal, ela indaga o nível de autoridade da outra pessoa – e, para quem é colaborador dentro de uma empresa, cujo nível de autoridade é baixo, ela dá até arrepios, não é? Mas quero utilizar essa pergunta para provocar uma reflexão: e se a resposta esperada não fosse sobre autoridade? E se fosse sobre valor?

Valor geralmente é um conceito difícil de definir, mas como profissional de marketing eu gosto da definição simples de que “preço é o que se paga, valor é o que se leva”. Ou seja, valor é sobre o problema que determinado produto, marca ou pessoa resolve para quem consome, assiste ou interage.

Sendo assim, a pergunta do futuro para qualquer profissional, em qualquer carreira, é: qual problema você resolve? E a resposta tem que estar na ponta da língua, porque não é de hoje que a habilidade de “resolução de problemas” figura como uma das mais importantes para os profissionais do futuro, segundo Reportes do Fórum Econômico Mundial.

Saber qual problema você resolve como profissional, ou em outras palavras, qual valor você agrega como profissional, tem potencial de te deixar mais satisfeito com a sua carreira justamente porque essa pergunta pode te guiar a entender no que você é bom profissionalmente, o que o diferencia e como você se destaca em ajudar as organizações a resolverem os problemas que elas têm.

Mas o desafio não para por aí: não basta apenas saber seu valor, também é preciso comunicar isso de forma clara para o mercado, a fim de construir sua reputação de competência relacionada a esse problema que você resolve. E isso não é fácil.

Você já deve ter reparado que em entrevistas de emprego, por exemplo, muitas pessoas se atrapalham na hora de falar sobre si. Ou mesmo em reuniões de time, quando existe um convite para interagir com ideias e opiniões, os colaboradores sempre esperam seus gestores falarem primeiro, pois não querem correr o risco de expressarem uma opinião diferente da do chefe. Então como construir essa reputação se a comunicação está travada?

Passo 1: clareza!

Você precisa saber “quem pensa que é”. Para isso, analise a sua história: em quais momentos da sua vida profissional ou pessoal você demonstrou uma habilidade incrível? Para qual problema seus amigos e colegas de trabalho te pedem ajuda? Quando as pessoas falam sobre você, de quais momentos marcantes elas se recordam?

Todas essas respostas podem indicar os problemas que você resolve e qual valor as pessoas percebem em você.

Passo número 2: coragem!

Todos nós temos pontos de vista diferentes e é isso que provoca inovação, criatividade e o crescimento exponencial das organizações. Ser igual aos outros candidatos do processo seletivo, dar a mesma opinião que os seus colegas ou concordar o tempo inteiro com seu chefe não ajuda a concretizar a diversidade no ambiente de trabalho que as organizações tanto querem.

Mas atenção! Procure desenvolver técnicas de comunicação que não comprometam a sua relação com as pessoas, caso contrário, você poderá se tornar um “rebelde sem causa” e não é sobre isso que estamos falando.

Passo número 3: consistência!

Reputação de competência só se constrói com consistência. Se você já definiu, a partir de sua história, das suas habilidades e da sua personalidade, qual o problema que você resolve, foque nisso.

Envolva-se em projetos, eventos e conversas nas quais possa contribuir com o seu valor de forma excepcional. Dessa forma, você começa a imprimir o seu DNA profissional e não só você vai saber quem pensa que é, mas as pessoas à sua volta também reconhecerão isso.

Por fim, a grande vantagem que você leva ao se conhecer é se tornar um profissional mais reconhecido no mercado pelos seus pontos fortes e pelos resultados que são alcançados quando você faz parte de um projeto – e isso inicia um ciclo virtuoso de atração de oportunidades.

Quem você pensa que é?

 

Por Beatriz Machado, executiva de marketing e autora do livro “O Subordinado”.