Qualificação de profissionais multitarefas é a aposta do momento para driblar concorrência

É comum ouvirmos que, hoje em dia, existe aplicativo para tudo. Apesar dessa ideia ser de difícil confirmação, de fato já é possível contratar quase todos os tipos de serviços ou resolver problemas do cotidiano através de um celular. Paralelo à grande adesão dessa praticidade por parte dos consumidores, o recorrente aumento da concorrência é outra característica marcante de uma nova realidade econômica, presente em todos os cantos do mundo.

Para se destacar, muitas novas empresas estão apostando na diversificação e complementação entre os serviços, uma vez que a satisfação de quem paga é o principal fator que consolida uma plataforma entre as mais requisitadas. Não basta apenas oferecer a praticidade, o cliente também espera um serviço cada vez mais completo e eficaz.

Um sinal dessa tendência é o crescimento de profissionais multitarefas que prestam serviços para aplicativos que ofertam transporte de passageiros, delivery, mão de obra para o segmento de foodservice, entre outros. Muitas startups, inclusive, não apenas possibilitam que colaboradores atuem em funções distintas, desde que aptos a isso, como também os capacitam.

Há alguns meses me deparei com essa necessidade ao perceber que muitas empresas parceiras começaram a lidar com um número maior de pessoas fora do padrão ideal de instrução para determinadas funções. A explicação mais lógica é a escassez de oportunidades no mercado, intensificada pela pandemia, que obrigou muitos brasileiros a saírem de suas zonas de conforto para se arriscarem em áreas em que não estavam familiarizados.

Ignorá-los seria uma decisão pouco efetiva e de certa forma cruel, por isso a opção pelo meio termo. As próprias empresas podem, agora, hospedar cursos e treinamentos específicos dentro da plataforma, dependendo de suas necessidades. Além de aprimorar a parte técnica dos trabalhadores, a qualificação também engloba aspectos comportamentais, de higiene e de postura, fatores cada vez mais importantes com as novas regras sanitárias.

Outra ação que me chamou a atenção foi a da startup Vá de Táxi, por aliar dois serviços relacionados ao mesmo mercado (o de automóveis) e altamente requisitados, mas que ainda não eram vistos em conjunto nos aplicativos: mobilidade e manutenção. Os motoristas parceiros participaram de cursos de assistência automotiva oferecidos pela empresa. Além de transportar passageiros, eles ficam disponíveis para prestar serviços como troca de pneus, carregar ou trocar baterias, entre outros, aos clientes das seguradoras.

Essas medidas não beneficiam apenas a empresa, mas também os colaboradores que, autorizados a atender outras funções, ganham uma segunda fonte de renda. A busca por caminhos alternativos, aliás, já revela uma recuperação econômica para estas empresas e startups em resposta à crise do coronavírus, como mostram alguns estudos.

Um deles é o Índice de Confiança de Micro e Pequenas Empresas (IC-MPE), que é calculado pelo Sebrae em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O indicador registrou um aumento de 4,1 pontos, em julho, atingindo o patamar de 96,3 pontos, o maior nível desde janeiro de 2020 (96,8).

Vale lembrar que a busca por inovações cada vez mais necessárias também fomenta o modelo Gig Economy, conhecido por priorizar relações de trabalho mais flexíveis que, aliado às ferramentas digitais, é considerado hoje uma das saídas para a crise econômica, visto que desenvolvimento é sinônimo de combate à desigualdade.

E a principal arma é simplificar os processos de contratação e acesso aos serviços, pois gera mais oportunidades de trabalho.

Qualificação de profissionais multitarefas

 

Por Walter Vieira, CEO da Closeer.