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Segundo uma recente reportagem da BBC News, grandes empresas de tecnologia, Google, Amazon, IBM, Microsoft e Facebook, entre outras, estão preconizando que, ainda este ano, a maioria dos seus profissionais terão que cumprir parte da sua jornada semanal em seus escritórios. Empresas líderes de diferentes segmentos também estão se posicionando desta forma. Argumentos diversos são colocados. Desde a necessidade de maior socialização das equipes, melhoria de gestão e controle, preocupação com a saúde mental das pessoas, etc. Não acredito neste retorno ao trabalho presencial, daí concluo que para os profissionais de TI o trabalho remoto veio pra ficar

Isto não quer dizer que equipes não irão se reunir para encontros e dinâmicas de trabalho, esporadicamente. Isto é muito diferente do que ter que se deslocar para o trabalho em alguns dias fixos das semanas durante todo o ano. E o profissional que foi contratado para fazer parte do time a milhares de quilômetros de distância? E aquele que se aproveitou da flexibilização durante a pandemia para mudar para um local mais aprazível? Terão que se mudar para a cidade onde está o escritório da firma?

Certamente, a maioria não fará esta opção! Aceitarão uma das centenas de propostas de trabalho que batem à sua porta (e-mail, whatsapp, telefone) todos os dias, oferecendo o mínimo que todo profissional de TI, atualmente, espera: FLEXIBILIDADE. Mas se é assim, por que grandes empresas, líderes em seus segmentos, estão dizendo o contrário?

Porque, ironicamente, elas não querem perceber a necessidade de se reinventarem. Qual profissional de TI não gostaria de trabalhar na Google, Apple, Microsoft, Amazon ou Facebook? Se a condição para isso for ter que se mudar para um grande centro e cumprir um horário de trabalho em um escritório, com certeza, muitos. Muitas destas empresas, pioneiras na adoção de ideias disruptivas, com escritórios descolados, alguns, propositadamente, chamados de campus, atraíram milhares de jovens para fazerem parte de uma cultura. O problema é que esta cultura não para de pé sem toda esta estrutura e com todos trabalhando, fisicamente, juntos.

Não acredito que uma mesa de pebolim, uma quadra de basquete no campus ou possibilidade de usar uma roupa confortável para trabalhar seja um diferencial para quem já tem a flexibilidade de atuar onde for melhor para ele. Todos estes atrativos foram colocados para aproximarem o ambiente de trabalho aos lares, mas, convenhamos, nada se compara ao ambiente casual e informal dos nossos lares.

Para alguns, levar o trabalho para dentro de casa pode ser estressante, mas para aqueles que experimentaram e conseguiram se adaptar à nova rotina, dificilmente vão optar pelo formato antigo. A não ser que não haja oportunidade de trabalho remoto. O que me parece pouco provável. As empresas e seus departamentos de RH descobriram formas de recrutar e oferecer vagas remotas. Os profissionais são assediados a todo momento com ofertas tentadoras de trabalho flexível e remuneração além das suas expectativas. Estima-se que para cada profissional especializado em alguma das tecnologias mais adotadas existam mais de 5 vagas sendo ofertadas.

E o aquecimento desta demanda está só começando. A transformação digital das empresas e o boom das startups, que impulsionaram o mercado de profissionais de TI, foi acelerado pela necessidade de mudanças das empresas com a pandemia do COVID-19 e será, ainda mais, turbinado com a chegada do 5G e da computação quântica. Quer dizer que estas empresas, até então, referências na adoção de novas tecnologias e inovação, perderão este bonde e estão condenadas a perder seus melhores profissionais?

Certamente, não. Não é fácil para quem está no topo perceber que as mudanças ameaçam seu reinado. Algumas delas já se reinventaram o bastante para, depois de uma queda e um horizonte de incerteza, alcançarem novamente o patamar em que se encontram. Provavelmente, todas elas possuem, em seus quadros, os profissionais e o dinheiro necessários para esta transformação.

Para os profissionais de TI o trabalho remoto veio pra ficar

Por Geraldo Batista, Sócio e Diretor de Operações da SysMap Solutions. É formado em Engenharia Elétrica pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG).


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