A inclusão de pessoas trans é um dos maiores desafios no objetivo de se ter empresas mais diversas e inclusivas. Contando, muitas vezes, com nenhum ou muito pouco apoio familiar, excluídas da educação ainda no ensino básico e com estigmas atrás de si, as pessoas trans enfrentam enormes barreiras no acesso ao mercado de trabalho formal.

Nos casos em que o trabalho formal é possível, geralmente as opções disponíveis são vagas de baixa remuneração e qualificação. Há ainda o preconceito eventualmente manifesto no ambiente de trabalho na forma de agressões físicas, verbais ou microagressões veladas, como, por exemplo, a recusa dos colegas (e às vezes até da empresa) em referir-se ao profissional trans pelo nome social.

Inclusão da pessoa trans vai além da reserva de vagas

Embora os programas de inclusão tenham avançado no sentido de oferecer possibilidades de trabalho e crescimento às pessoas trans, é fato que um caminho longo ainda precisa ser percorrido antes que a inclusão desse público seja plena e efetiva.

Os desafios, inclusive, vão muito além da criação das vagas destinadas a pessoas trans.

Programas de diversidade com ações voltadas a essa população (e para outros grupos minorizados) precisam dar atenção e focar esforços na cultura inclusiva e na construção de um ambiente de trabalho seguro, respeitoso e acolhedor.

Uma ferramenta a se adotar em uma fase inicial é a sensibilização sobre os desafios que esta população enfrenta para viver hoje no Brasil e para entrar e permanecer no mercado de trabalho.

Oferecer qualificação é ponto central na inclusão da pessoatrans

As principais ONGs que trabalham com a temática trans do país estimam a expectativa de vida média de uma pessoa trans no Brasil em 35 anos. A maioria é expulsa de casa aos 13. Excluídas estudo muito cedo, metade não conclui o ensino fundamental, 72% não terminam o ensino médio e só 0,02% alcança os bancos universitários.

Excluída das oportunidades de educação, acabam sendo alienadas, também, do mercado de trabalho, de forma que muitas acabam recorrendo à prostituição em algum momento da vida.

Trata-se, portanto, de uma população que precisa, antes de mais nada, ter sua existência reconhecida e seus direitos respeitados. Assim, muito além de proporcionar uma oportunidade de trabalho, cabe às empresas disponibilizar também um ambiente de trabalho tolerante, acolhedor e que assegure os direitos de ser chamada pelo nome social, pelo pronome correto, ter e-mails, crachás, cartões de planos de saúde e transporte com o nome social, além do uso de banheiros destinado ao gênero de identificação.

Sem ambiente inclusivo, inclusão da pessoa trans não prospera

Para avançar na cultura inclusiva, as organizações precisam, muito além de treinar e sensibilizar todos os colaboradores, aplicar tolerância zero com qualquer manifestação de LGBTfobia, sexismo, racismo, capacitismo, etarismo ou de outro tipo.

É preciso considerar ainda a flexibilização dos critérios de contratação tradicionais (possibilitando novas lentes e novas competências), disponibilizar de forma sistemática oportunidades de qualificação e desenvolvimento.

De nada adianta contratar pessoas trans, negras, mulheres, pessoas com deficiência se não preparar o ambiente para acolhê-las. Se o ambiente é hostil, elas vão gastar mais energia se defendendo dele do que produzindo, de forma que não se motivam a compartilhar suas perspectivas, minando os benefícios da diversidade.

Os desafios da inclusão de pessoas trans

Por Letícia Rodrigues, colaboradora regular do COLAB, consultora especializada em diversidade e inclusão e sócia-fundadora da Tree Diversidade.

 

 

 

 

Ouça o PodCast RHPraVocê Cast, episódio 106, “Segundou” na “força do ódio”: o humor chega aos perfis corporativos” com Raphael Palazzo, criado e administrador da página Entrevistamento. Clique no app abaixo:

Não se esqueça de seguir nosso podcast e interagir em nossas redes sociais:

Facebook
Instagram
LinkedIn
YouTube