Nos últimos anos, a inteligência artificial e a automação vêm transformando a maneira como trabalhamos. Em diversas áreas, essas tecnologias têm sido encaradas como ameaças à atuação humana, mas, no setor de Recursos Humanos, a IA no RH tem se mostrado uma aliada poderosa para otimizar processos e ampliar resultados.
O RH tem diante de si uma oportunidade única: tornar-se mais estratégico e, paradoxalmente, mais humano. Mas, para isso, é preciso entender que a IA não substitui pessoas - ela libera tempo para que os profissionais possam realmente se dedicar ao que importa: as pessoas.
IA no RH: transformando processos e valorizando pessoas
Atualmente, a rotina do RH ainda é dominada por processos operacionais e burocráticos. A pesquisa da ABRH Brasil revela que 70% dos profissionais de RH gastam a maior parte do tempo com tarefas como gestão de folha de pagamento, administração de benefícios e atendimento a dúvidas frequentes. É um cenário preocupante, pois significa que a maior parte do esforço do setor está voltada para questões administrativas, e não para o desenvolvimento dos colaboradores. No entanto, com a IA assumindo grande parte dessas tarefas, o RH pode finalmente ocupar o papel estratégico que sempre deveria ter tido.
Pesquisas revelam que a IA e a automação de processos podem automatizar até 60% das atividades de RH. Com isso, os profissionais deixam de perder tempo em planilhas e e-mails repetitivos e passam a focar em iniciativas que realmente impactam a experiência dos colaboradores.
Empresas que implementam automação no RH já reduzem em até 40% o tempo gasto com processos burocráticos, de acordo com o Gartner. A tecnologia não elimina o trabalho humano; ela o transforma para que seja melhor aproveitado.
Com mais tempo livre, o RH pode finalmente se tornar um setor voltado para as pessoas. Assistentes virtuais e chatbots reduzem em até 50% a carga de atendimento humano. Como resultado, os profissionais podem focar onde realmente fazem a diferença: ouvindo os colaboradores, entendendo suas necessidades, desenvolvendo planos de carreira e criando um ambiente de trabalho mais saudável. E isso tem impacto direto nos resultados da empresa.
IA no RH transforma o futuro do trabalho humano
Uma pesquisa da Gallup revela que colaboradores enxergam maior engajamento quando percebem um RH próximo e estratégico. Esses profissionais são quase quatro vezes mais engajados. Além disso, têm 28% menos chances de deixar a empresa. Um RH presente e acessível valoriza os funcionários. Como resultado, isso impacta positivamente a produtividade e o clima organizacional. A IA também aprimora a experiência dos colaboradores. Ela personaliza recomendações de benefícios e oferece trilhas de aprendizado sob demanda.
Inevitavelmente, o futuro do RH passa pela tecnologia. O mercado global de tecnologia para gestão de pessoas deve alcançar US$ 35 bilhões até 2028, impulsionado justamente pela adoção crescente da IA. E isso significa que a resistência à automação dentro do RH não é apenas um atraso na modernização das empresas, mas uma barreira para um ambiente de trabalho mais humano e eficiente. Quanto mais rápido os profissionais entenderem isso, mais cedo poderão aproveitar os benefícios dessa transformação.
Não se trata, portanto, de substituir o RH humano pelo digital. Pelo contrário, o verdadeiro valor da IA está em permitir que os profissionais de RH finalmente se dediquem ao que deveriam: às pessoas. O futuro do setor não será apenas sobre tecnologia, mas sobre como usá-la para construir ambientes de trabalho melhores, mais engajadores e, acima de tudo, mais humanos.
Por Eduardo Andrade, Head de produto da Bondy. Atualmente lidera o desenvolvimento de soluções inovadoras em inteligência artificial e machine learning para otimizar processos de recursos humanos. Fundou a HR Bot, plataforma de atendimento a colaboradores que deu origem à Bondy. Atuou como gerente de Marketing de Produto no Google e gerente de Conhecimento do Consumidor e Mercado na P&G.
🎧 Inteligência Artificial (IA): Deve Mesmo Preocupar-nos?
No episódio 158 do RH Pra Você Cast, intitulado “IA: a preocupação deve mesmo existir?”, discutimos um tema que tem gerado debates acalorados: o desenvolvimento da IA no mercado de trabalho. Em março de 2023, veio a público a informação de que cerca de 2.600 líderes e pesquisadores do setor de tecnologia assinaram uma carta aberta solicitando uma pausa temporária nesse desenvolvimento. O argumento central é que as IAs podem representar um “risco para a sociedade e a humanidade”. Surpreendentemente, até Elon Musk, um dos maiores entusiastas da tecnologia, também assinou o documento.
Visões Contrastantes: Otimismo vs. Preocupação
Jhonata Emerick, CEO da Datarisk, diverge desse movimento de cautela em relação às IAs. Para o doutor em Inteligência Artificial, a evolução dessas tecnologias é tão natural quanto o crescimento que elas podem impulsionar. Acima de tudo, ele argumenta que, ao longo da história, a humanidade sempre enfrentou mudanças disruptivas, e a IA não é exceção. A questão, portanto, é como nos adaptamos e aproveitamos essas transformações.
Legitimidade das Preocupações
Mas será que as preocupações em torno das IAs são legítimas? A perda de empregos é frequentemente apontada como um risco iminente. No entanto, também devemos considerar os benefícios potenciais: automação de tarefas repetitivas, diagnósticos médicos mais precisos, otimização de processos industriais e muito mais. Em suma, ainda há muito a aprender sobre o impacto real da IA no mercado de trabalho e em nossas vidas.
O Desconhecido e o Potencial Inexplorado
Por fim, o que as IAs podem fazer por nós que ainda não compreendemos totalmente? Talvez estejamos apenas arranhando a superfície de suas capacidades. Desse modo, à medida que avançamos, é crucial manter um olhar crítico e otimista, buscando equilibrar os riscos com as oportunidades.
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