Sempre coloquei os meus desafios profissionais acima de qualquer plano pessoal. Quando descobri que estava grávida fiquei muito preocupada com o rumo da minha carreira e com o meu crescimento dentro da organização.

Estou há 3 anos na Gavilon do Brasil, trading de commodities do grupo japonês Marubeni, tenho 37 anos de idade e 20 de experiência profissional, tenho uma grande paixão pelo meu trabalho e recebi um forte apoio da empresa quando descobri que estava grávida e quero que outras mães tenham experiências assim no mercado.

Esse deveria ser um costume das organizações.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Deloitte – com 8 mil empresas de 66 países, entre julho e setembro de 2020 – as mulheres ocupam apenas 16,9% das posições de liderança a nível mundial. Com este baixo índice, as grandes empresas estão cada vez mais empenhadas em desenvolver iniciativas que estimulem a presença das suas funcionárias em posições de confiança, desenvolvendo internamente a valorização da presença feminina em áreas diversas e promovendo a igualdade de gênero.

Exatamente como ocorreu comigo e dever ocorrer com todas as mulheres.

Apesar de toda a insegurança que este momento gera na vida de uma mulher, fui acolhida e tranquilizada por todos. No meu 6º mês de gravidez, recebi um reconhecimento da empresa que me deixou mais confiante e muito mais apaixonada pelo meu trabalho. Sei que não é fácil para executivas quando descobrem que estão grávidas.

É uma mistura de sentimentos e emoções e o medo de perder o seu emprego é iminente, por isso gostaria que o meu exemplo servisse de inspiração e exemplo para as futuras mães que gostam do seu trabalho e não querem abandonar suas carreiras. As empresas devem colocar as pessoas em primeiro lugar, esse é um dos principais pilares que trago para área de Recursos Humanos da empresa.

Outro levantamento revela ainda que o Brasil ocupa a 38ª posição no ranking dos países pesquisados, com apenas 8,6% dos postos de liderança exercidos por mulheres. Além disso, eu sabia também que fazia parte de uma minoria no setor do agronegócio – apenas 9,2% do mercado é composto por mulheres, segundo a Confederação Brasileira da Agricultura e Pecuária (CNA).

Para meu gestor, Marcelo Grimaldi, presidente da empresa, as mulheres não devem escolher entre os seus sonhos, incluindo ser mãe ou a sua carreira profissional. Valorizar as nossas colaboradoras pelo seu bom trabalho e desenvolvimento profissional faz parte da cultura da empresa. A maternidade não deve ser um motivo de preocupação, mas sim para celebrar.

Como Head de RH, quero continuar trabalhando para reforçar a importância das empresas terem em seus objetivos expandir os programas de apoio as colaboradoras e encontrar formas de celebrar todos os marcos profissionais e pessoais de cada uma delas.

Maternidade não significa estagnação da carreira

 

Por Julia Sampaio, formada em administração de empresas e gestão estratégica de pessoas, com 15 anos de experiência na área de Recursos Humanos.