Na era da inteligência artificial, o real é o novo viral

Vivemos imersos na chamada economia da atenção. Um ambiente hipercompetitivo, em que marcas, criadores e plataformas disputam cada segundo do nosso olhar. Esse jogo, que já era complexo, ficou ainda mais desafiador com a popularização da Inteligência Artificial Generativa, aquela que gera (num nível assustadoramente avançado) conteúdo como textos, áudios, imagens e até vídeos, do completo zero.

Para se ter uma ideia, uma pesquisa global realizada pelo Google em parceria com a Ipsos, mostrou que o Brasil está acima da média quando o assunto é o uso da IA generativa. 54% dos brasileiros disseram ter usado uma ferramenta desse tipo, sendo que a média global foi de 48%, de acordo com o estudo.

Sync 2025

De uma hora para outra, feeds, telas e timelines passaram a ser inundados por conteúdos impecavelmente produzidos, mas, muitas vezes, com um problema central: falta de autenticidade. Ou seja, o que era para ser uma revolução criativa, em alguns casos, se torna um ruído.

Esse tal "ruído” acontece porque, ao se deparar com imagens ou vídeos que parecem reais, mas não são, o cérebro humano ativa um alerta. Esse fenômeno tem nome: vale da estranheza.

É aquele desconforto que sentimos ao perceber, mesmo que de forma inconsciente, que há algo de artificial, seja na expressão, no tom, na dinâmica ou na estética. E, quando isso acontece, o efeito não é de aproximação. Pelo contrário: é de afastamento.

Quando o real fala mais alto

Com este cenário, por mais que muitos apostem em soluções tecnológicas para otimizar e escalar conteúdos, há um movimento crescente que valoriza o oposto: o genuíno, o real, o espontâneo.

Afinal, conteúdos que traduzem emoções autênticas, experiências vividas e reações genuínas criam conexões profundas e despertam engajamento. Ademais, esses conteúdos têm alto potencial de se tornar virais.

Se pararmos para observar os vídeos que explodem nas redes (aqueles que impactam, arrancam risadas, geram empatia ou provocam reflexões), quase todos têm um denominador comum: são produzidos por pessoas comuns, vivendo situações reais. É esse grau de autenticidade que cria identificação.

Não se trata de “demonizar a Inteligência Artificial”

Ela tem um papel fundamental em vários processos, inclusive na curadoria, na organização e na distribuição de conteúdos. Mas, quando falamos de construção de conexão, de branding e de presença digital, há um valor imensurável no que é genuinamente humano.

Diante desse panorama, é cada vez mais evidente que a inteligência artificial, apesar de seu avanço notável na criação e automação de conteúdos, não deve ser vista como substituta da sensibilidade humana. Pelo contrário, ela deve ser compreendida como uma aliada estratégica para potencializar aquilo que temos de mais valioso. Ou seja, a autenticidade, a emoção e a capacidade de conexão real.

Em meio a um mar de produções tecnicamente perfeitas, é o conteúdo imperfeito, humano e verdadeiro que realmente toca, engaja e permanece. Na era da IA generativa, paradoxalmente, o que é real não só se destaca, se torna essencial.

Inteligência Artificial_foto do autorPor Alexandre Salvatore, sócio-fundador da Myhood, startup especializada no licenciamento de vídeos virais e conteúdos gerados por usuários.



Ouça o episódio 215 do podcast RH Pra Você Cast:

"Florescimento humano: o RH pode 'ir além' no desenvolvimento de pessoas?"

O papel estratégico do RH no desenvolvimento de pessoas

O papel do RH e das lideranças, portanto, vai além da gestão de processos. De fato, ele é essencial no desenvolvimento de talentos e, consequentemente, na construção de culturas sustentáveis.

Muitas empresas ainda concentram seus esforços apenas nas habilidades que atendem às demandas do negócio. No entanto, essa visão limita o crescimento das pessoas e da própria organização.

Focar apenas no curto prazo pode comprometer a inovação, o engajamento e a retenção de talentos. É por isso que surge uma pergunta importante: e se o desenvolvimento humano for, também, uma estratégia de crescimento competitivo?

Mais do que capacitar: fomentar o florescimento humano

Neste contexto, entra em cena o conceito de florescimento humano. Mais do que desenvolver habilidades técnicas, trata-se de criar espaços onde as pessoas possam prosperar — em equilíbrio com os objetivos da organização.

Batemos um papo com Vanessa Custódio, especialista em desenvolvimento humano, ESG e saúde mental, que destacou a importância dessa abordagem para empresas que desejam evoluir de forma sustentável e consciente.

Afinal, marcas fortes são feitas por pessoas que florescem. Não deixe de ouvir o episódio completo!

Não se esqueça de seguir nosso podcast bem como interagir em nossas redes sociais:

Facebook
Instagram
LinkedIn
YouTube