Nos últimos anos, algumas tendências têm se transformado em projetos que buscam escala para a viabilização econômica e visam conferir mais segurança e rapidez nas transações dos vale-transportes. Os projetos vêm sendo testados com sucesso nas catracas dos coletivos em meios eletrônicos e possuem escopos diferenciados que vão desde autenticações via reconhecimento facial até pagamentos via pulseiras digitais, smartphones, aplicativos e sistema de QR Code.

Outro projeto que vem ganhando destaque no universo da bilhetagem é o que trata da transição contínua da metodologia eletrônica (offline), composta por cartões, validadores e sistemas de backoffice, para a chamada bilhetagem digital, na qual mecanismos de comunicação on-line e em nuvem com gestão efetiva de dados e inteligência são aplicados ao negócio, abrindo novas frentes de exploração de produtos e serviços.

A ABT (account-based ticketing) consiste em um novo conceito que visa transformar o cartão, o celular, ou qualquer outro dispositivo válido e credenciado com o operador, inclusive a biometria reconhecida pelo validador, em meio de identificação do usuário e de acesso a todo o sistema de funcionamento do transporte e de validação de créditos. A partir desse dispositivo, o saldo para ser debitado com o valor da tarifa estará na nuvem, e todos os outros sistemas estarão on-line para pesquisa e acesso de informações.

A bilhetagem digital, em comparação com o sistema de bilhetagem eletrônica (nasceu off-line), traz grandes possibilidades de negócios adicionais e eficiência no processamento e no relacionamento com o usuário. O formato aplicado na bilhetagem eletrônica revolucionou o mercado em termos de segurança e rapidez.

Do ponto de vista funcional, o bilhete digital possui a facilidade de baixar os aplicativos de venda de créditos nos celulares e efetuar as aquisições das passagens por tipos, exemplo, gerando um QR Code, que será lido pelo validador.

O Rio de Janeiro é um modelo a ser seguido, pela inovação, com a introdução da biometria e de novos aplicativos, com possibilidade de pagamento por QR Code e celular. Inclusive, o modelo de QR Code começou a ser utilizado pelo metrô em São Paulo.

O grande desafio dos próximos anos, no entanto, é utilizar as informações dos usuários dos sistemas para gerar receitas extraordinárias e reduzir o custo do transporte para o Estado, os operadores e os usuários.

As impactantes e significativas mudanças tecnológicas no vale-transporte fortalecem um benefício tão importante e que faz a diferença na vida de milhões de brasileiros todos os dias. Por isso, as empresas distribuidoras investem em modelos tecnológicos tanto para empresas como para colaboradores.

O futuro do pagamento dos transportes é digital. É você ter seus dados na nuvem e poder usar qualquer tipo de aplicativo, pode ser biométrico (dedo, íris ou face) ou pode ser por um celular, tablete, pulseira, relógio, para pagamento da passagem e liberação da catraca. Você tem o seu cadastro e seus créditos previamente comprados e aprovados e as catracas eletrônicas vão buscar seus dados na nuvem, fazem o reconhecimento pelo aplicativo e liberam sua passagem, além de atualizar as contas digitais. O futuro é poder ter essa conta digital na nuvem.

 

Futuro digital do Vale-transporte
Por Celso Campello Neto, especialista em Administração, Sistemas Produtivos e Logística, professor universitário e palestrante, autor do livro recém-lançado “Vale-Transporte Uma Conquista Nacional” e CEO da Benefício Certo.