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Não é surpresa ou novidade que o mercado de trabalho é extremamente desafiador para as mulheres. Segundo pesquisa do LinkedIn com a consultoria Think Eva, mais da metade das 414 mulheres entrevistadas já foi vítima de assédio em âmbito profissional. Fora isso, há também, entre outras questões, o sexismo. O IBGE divulgou em março deste ano que em 2019 as mulheres receberam 77,9% do salário dos homens. 

Embora 60% das brasileiras estejam inseridas no mercado de trabalho, de acordo com uma pesquisa feita pelo Fórum Econômico Mundial em 2020, os desafios enfrentados pelas mulheres ainda são gigantescos, especialmente para aquelas que se tornam mães. 

Efeito Home Office

O panorama não se alivia nem mesmo com o home office. Segundo pesquisa recente realizada pela Catho com mais de 6 mil profissionais, 92% das mulheres que estão em trabalho remoto também são as responsáveis pelos filhos, que estão em casa neste período por conta do fechamento temporário das instituições de ensino. 

E, apesar do trabalho dobrado, esse grupo ainda pode se considerar privilegiado, pois faz parte dos 15,5% que conseguiram transferir o escritório para as suas residências. Realidade de uma minoria, já que para 71% dos entrevistados, trabalhar no conforto do seu lar, podendo cuidar dos filhos, é algo muito distante do seu dia a dia, assim, deixá-los com terceiros para trabalhar fora ainda é parte do cotidiano de milhões de brasileiros.

Das mães que trabalham fora, ainda segundo o levantamento, 69% deixam seus filhos com outras pessoas, 19% com os pais e 12% em uma escola ou creche. Enquanto os pais que trabalham fora, 36% deixam com outras pessoas, 58% com as mães e 6% em uma escola ou creche.

Regina Botter, Diretora de Operações da Catho, esclarece que essa é uma rotina que envolve considerável parcela da população brasileira. “O número de mães solo no país chega a mais de 11 milhões. São mulheres provedoras do lar, que estão sentindo as dificuldades relativas ao cuidado e a sobrecarga de tarefas potencializadas pela pandemia. Os dados mostram que tanto no home office, quanto trabalhando fora, a mulher acaba sempre sendo a maior responsável pelo cuidado dos filhos. Lembrando que quando pais ou mães deixam os filhos com terceiros, geralmente são com avós ou tias. Ou seja, outras mães”, afirma Regina.

De acordo com uma pesquisa feita em abril pela empresa de recrutamento Robert Half com 2.379 profissionais no LinkedIn, 54% dos respondentes acreditam que a melhor forma de demonstrar apoio às trabalhadoras que são mães é estabelecer jornadas mais flexíveis, opinião compartilhada por Mariane Hotta, diretora de Risco e Compliance da Onze, fintech de saúde financeira e previdência privada.

“Principalmente durante a pandemia, é importante que as empresas deem mais flexibilidade de horário às colaboradoras mães e se esforcem para compreender os desafios que cada uma enfrenta em sua casa para conciliar a vida profissional com a maternidade. Estamos lidando com um aumento na carga de trabalho não apenas com o ensino à distância das crianças, mas com a redução na ajuda com as tarefas domésticas e, com possíveis enfermos e óbitos na família”, pontua.

Cuidados com as finanças

Além da dupla jornada de trabalho enfrentada pela maioria e dos desafios que a maternidade ainda representa à progressão de carreira, as mães precisam revisitar o planejamento financeiro para adequar os gastos à nova realidade. De acordo com um estudo feito em 2020 pela Onze, remanejar os gastos para garantir um futuro financeiro mais confortável pode ser especialmente mais difícil para o público feminino, tendo em vista que há mais mulheres (64%) ganhando até 3 salários mínimos do que homens (50%).

Com as finanças mais prejudicadas, as trabalhadoras brasileiras também sentiram mais os efeitos do estresse nos últimos 12 meses. O primeiro motivo apontado foi dinheiro, seguido por trabalho e saúde.

Embora a chegada de um novo membro cause euforia na família, é preciso manter o lado racional e colocar na ponta do lápis todas as despesas, como fez Mariane Hotta. Com a maternidade passei a me planejar melhor financeiramente, eliminando gastos com passeios, viagens e restaurantes e adotando uma disciplina com metas de reserva financeira para cada ano. Além disso, contratei seguros de vida com receio de que eu possa faltar em algum momento”.

Quase dez anos após o nascimento do primeiro filho, Hotta colhe os frutos de um planejamento financeiro bem feito. “Após quase uma década poupando um pouco todos os meses, é nítido o impacto da disciplina financeira junto aos juros compostos. Ter uma reserva de investimentos traz mais tranquilidade ao dia a dia e nos deixa mais preparados para enfrentar imprevistos como crises financeiras e desemprego”, pontua.

O analista de investimentos da fintech, Samuel Torres, ressalta a importância de pensar em um futuro distante. “O ideal é fazer um planejamento financeiro a longo prazo, estimando os gastos com os filhos a cada ano, pois podem haver acréscimos relevantes à medida que as crianças crescem. Também é importante estruturar reservas para grandes gastos futuros, como intercâmbio e faculdade. A longo prazo, investir em fundos de previdência e no Tesouro IPCA+ são boas opções”.

Protagonismo na Saúde, mas sem se esquecer… da saúde!

Cuidar da saúde se tornou ainda mais relevante e dedicar um tempinho a mais na correria do dia-a-dia virou prioridade na agenda feminina Brasil afora. Com tantos afazeres e cientes da importância dos cuidados preventivos, mulheres de todo o país têm se sentido incentivadas e investido mais em check-ups, exames de rotina, ultrassons, densitometria óssea e mamografia.

O médico Ginecologista e Obstetra do Grupo Sabin, Dr. Fernando Boldrin, explica que a saúde feminina não deve estar limitada à ginecologia, fertilidade e menopausa. “Trata-se de observar atentamente todos os aspectos de como a mulher vive hoje sua jornada de cuidados com a saúde física e mental, além do bem estar no dia a dia”, explica.

O médico cardiologista do Grupo Sabin, Dr. Fernando Cesar Faleiros, destaca outro fator relevante nesta jornada de cuidados: o coração. A observação do especialista se ampara em números da Organização Mundial da Saúde, que aponta que 20% dos óbitos delas acontecem por problemas cardíacos – são mais de 3 milhões de mulheres que perdem a vida em decorrência de ataques cardíacos.

Outro percentual é que 45% das mulheres com mais de 20 anos têm alguma forma de doença cardiovascular. “São dados que reiteram a importância de adotar cuidados mais específicos com doenças cardiovasculares. Exames cardiológicos como: ecocardiograma, eletrocardiograma e teste Ergométrico, precisam estar nas listas de check up delas”, explica. O especialista informa também que quase 80% dos eventos cardíacos podem ser evitados, mas muitas mulheres ainda não têm informações sobre a doença para compreender e prevenir qualquer exposição aos riscos. “Por isso, os exames periódicos são imprescindíveis, especialmente agora, quando tantas mulheres tiveram que adiar os cuidados. Eles revelam às pacientes cinco fatores importantes de saúde pessoal e que ajudam a determinar os riscos de doenças cardíacas: colesterol, colesterol HDL (bom), pressão arterial, açúcar no sangue e índice de massa corporal”.

Quanto ao lado profissional, as mulheres assumem seu protagonismo na saúde. O trabalho na área sempre exigiu um enorme esforço devido à rotina exaustiva. Com plantões que viram a noite e horários que excedem o comercial, o trabalho dessas pessoas costuma ter longas jornadas, e durante a pandemia, isso se intensificou. A pesquisa da Catho também revelou que 40% das mães, que trabalham na área da saúde, deixaram de conviver com os seus filhos para evitar a transmissão da covid-19.

Segundo dados do IBGE, as mulheres são a principal força de trabalho da saúde, representando 65% dos mais de seis milhões de profissionais ocupados nos setores público e privado, tanto nas atividades diretas de assistência em hospitais, quanto na Atenção Básica.

Regina Botter explica que nesse momento é importantíssimo uma rede de apoio à mulher. “Muitas vezes, uma profissional de saúde passa 12 horas em um plantão e mais de 1h ou 2h no deslocamento até em casa, tendo apenas 1/3 do dia para conviver com o seu filho. E é nesse momento que os amigos e familiares precisam se fazer presentes e formar a tão famosa rede de apoio” finaliza.

Por Bruno Piai


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