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Fátima Motta

PhD em C.Sociais e mestre em Adm. Especialista em comportamento e liderança. Professora. Psicanalista. Coaching. Sócia-Diretora da F&M Consultores.

Qual é o nosso poder e como falar sobre isso?

O poder é aquilo que nos permite fazer, caminhar e dizer “eu posso”. Mas, o que eu realmente posso? Onde está esse poder?  No que, de fato, somos bons? Quando respondemos a essas perguntas, encontramos o ponto do nosso poder e da nossa força.

Porém, não é tão simples assim. Temos muita dificuldade de encontrar aquilo em que somos bons.

Na maioria das vezes, podemos perceber que o poder é visto como algo externo, que os outros reconhecem e não, necessariamente, é reconhecido por nós mesmos. Assim, se é o outro que reconhece o meu poder, só irei considerá-lo a partir do olhar do outro e não a partir do meu olhar.

O que acontece quando reconheço meu poder pelo olhar do outro? Acabo ficando na dependência dele.

Se o outro tem uma visão positiva, talvez ele ajude com um feedback também positivo, construtivo. Mas e se isso não acontecer? E se o outro for negativo?

Então, para não cair nessa emboscada, o primeiro passo é se auto reconhecer, é ter consciência do seu poder, a partir do seu olhar e não do olhar dos outros. O desafio, então, é reconhecer como age cada uma de nossas forças.

Como age cada uma de nossas forças?

Primeiramente, vamos analisar quais poderes nós temos. O primeiro – e óbvio – é a força física.

Se olharmos somente para nosso corpo, temos a força física, a estética, os órgãos sensoriais etc.  São tantos poderes naturais dos quais nem sempre nos empoderamos. Mas, o que é empoderar? Aqui, neste contexto,  é começar a olhar para tudo aquilo que você é, e, nesse primeiro olhar, dar-se conta do corpo como uma grande força, que é o que nos faz ir e vir, ser e viver.

Exemplos de poder são as nossas mãos e tudo o que elas podem fazer, desde trabalhos manuais, até movimentos de proteção e alimentação, entre outros. Mas, além das mãos, temos cada parte do nosso corpo que traz uma imensa potência.

Outro exemplo simples é a postura corporal que oferece uma enorme gama de forças (de atração, de repulsa, de limites etc.). Se não consigo enxergar esse poder, também não conseguirei ver a competência que vem dessa força.

Reconhecer o poder de me locomover para todos os lados, minha flexibilidade corporal, o quanto que eu consigo me moldar para pegar coisas, esticar os braços, as pernas…Sem contar, ainda, com o poder da dança, da ginástica.

São poderes importantíssimos que, por vezes, não nos damos conta. Um dos motivos é porque as pessoas com quem nos relacionamos não dão valor a essas forças e, por isso, não conseguimos reconhecê-las em nós.

Força Mental, Emocional e Espiritual

Outra força que temos é a mental, a força do psiquismo, do pensamento, das ideias, da lógica, do raciocínio, da capacidade de conectar uma série de coisas.  Se não usamos essas forças, elas podem se atrofiar, desaparecer.

Toda a força do nosso inconsciente – que poderia vir para a consciência – é poder.

A força do pensamento é inigualável. Estamos onde está o nosso pensamento. Tomamos decisões das mais variadas graças ao nosso pensamento, ao nosso intelecto. O nosso cérebro processa inúmeras informações, estabelece ligações incríveis entre elas e nos torna únicos a partir da memória.

Para muitos de nós, essas forças só existem para os que são considerados inteligentes, o que é um grande equívoco. Pelo simples fato de sermos humanos, essas forças estão em nós, sejam reconhecidas ou não.

A questão toda é: quanto queremos potencializá-las?

Será que sabemos reconhecer a existência de vários poderes e que esses poderes se combinam a cada momento? Se eu tenho um poder físico aliado a um poder mental, isso me dará posturas e ações diferenciadas.

Uma pessoa que se apresenta para uma tomada de decisão, por exemplo, tem a força do físico, a força cinestésica e, ao mesmo tempo, uma força mental.

Além dessas forças, as emoções representam uma parte significativa desse imenso poder. Qual meu potencial emocional? Que emoções consigo disponibilizar com mais facilidade? Simpatia, empatia, compaixão, alegria, amor, entusiasmo…Como lido com tudo isso? Preciso ter ciência da força das minhas emoções!

Será que consigo fazer uma rápida leitura das emoções das pessoas que estão ao meu redor?

A pessoa torna-se forte quando reconhece essas forças e as transformam em competência.

Competência é o conjunto de conhecimento, habilidade e atitude, que leva a um resultado. Então, se não reconheço quais são minhas forças, não tenho como transformá-las em competências.

Se tenho força emocional, provavelmente me sairia muito bem ao trabalhar com pessoas ou fazendo negociações.

Há, ainda, uma força maior que todas, a força espiritual, que é a capacidade de nos conectarmos com o todo maior. É o poder de ter e sentir intuições, é ter fé, compaixão, gratidão e saber qual sua missão nesse mundo.

Essa força simplesmente é o que coroa e dá sentido a todas as outras forças. Aqui não se fala em religião, mas sim em espiritualidade.

Precisamos olhar para todas as dimensões e reconhecer o poder que temos. Ao mesmo tempo, ter o cuidado de não deixar que tudo o que foi falado durante a vida, para você, o impeça de enxergar seu poder.

Porém, se você desenvolve uma força só para você, essa força diminui, não cresce. Ela deve ser aplicada à disposição da humanidade, a serviço de alguém.

A quem você serve?

Estou colocando meus valores a serviço de quem? Precisamos estar atentos aos valores morais e à ética para saber se, de fato, nossa força está sendo bem empregada. A força ganha vida no serviço ao outro.

Então, as etapas são as seguintes:

Fazer um diagnóstico aprofundado sobre suas forças, como se estivesse escaneando seu corpo, sua mente e suas emoções.  Por exemplo: a força do corpo, da mente, da reza, da conexão com o outro, da habilidade motora etc.

Ao identificá-las, perceber quais estão sendo (ou não) utilizadas.

Em seguida, verificar se a força que está utilizando está a serviço de algum propósito, pois, se não estiver, é uma força que está embotada, está perdida em você.

A força que eu tenho, outra pessoa também pode ter. Se temos uma missão, é normal potencializar mais essa força do que outra, por conta da nossa própria individualidade.

Sabotadores das forças alheias e o Papel do Líder

Vamos deixar muito claro que pelo simples fato de sermos seres humanos, temos muitos poderes e forças adormecidos, porque é de interesse de muitas pessoas que não reconheçamos nossas forças.

O líder deve ser sempre a pessoa a potencializar as forças de seus colaboradores. Às vezes, ajudando-nos a desenvolver algumas forças que temos medo até de demonstrar para outros.

A questão é: o que vou fazer para desenvolver essa força?

A resposta é simples: colocá-la em uso!

Para isso, no universo corporativo, quando o líder delega as atividades, ajuda seus colaboradores a desenvolver seus poderes e, quando não delega mingua o poder dos colaboradores, assim como o faz um pai ou uma mãe que limitam a possibilidade dos filhos, tendo como desculpa a proteção que imobiliza, desqualifica e desempodera.

Finalizando, sempre é possível reconhecer e desenvolver o próprio poder, a partir do reconhecimento das forças e, mais do que isso, ao reconhecer as competências, nada mais humano e digno, do que ajudar outros a desenvolverem também suas forças, a partir do reconhecimento da sua individualidade e dos seus poderes, únicos e diferenciados.

Profa. Dra. Fátima Motta, Sócia-Diretora da FM Consultores. É uma das colunistas do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação.


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