É possível montar o time ideal de trabalho? A resposta é sim!

Muitos líderes se referem ao “time ideal” e ao desafio que é montar essa equipe. Esse contexto foi potencializado em tempos de pandemia ditada pela Covid-19, em que os profissionais trabalham distantes fisicamente diante do isolamento social.

Afinal de contas, existe alguma “fórmula mágica” para montar uma equipe dos sonhos? O que esse líder interessado em formar um ótimo time de trabalho deve levar em conta na hora de selecionar os colaboradores? Como colocar os escolhidos nas funções certas? Toda escolha e decisões devem partir da liderança ou cada um pode assumir a responsabilidade pelo processo da construção desse time?

Vamos entender toda essa realidade a partir da análise de alguns dados.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Gallup nos Estados Unidos aponta que os líderes em cargo de gerência são responsáveis por 70% do engajamento de suas equipes. Isso mostra como as lideranças têm papel fundamental pelo sucesso de seu time. As decisões de escolher e colocar os colaboradores nas funções influenciam e muito nesse engajamento.

A estimativa do Gallup foi publicada no estudo do Estado do Gestor Americano: Análises e Recomendações para Líderes. O levantamento evidencia que uma boa liderança contribui para o time alcançar excelentes performances, como também criar um ambiente no qual os empregados se responsabilizam pelo próprio engajamento.

Isso indica que o papel do líder é sim fundamental na construção dessa equipe, mas houve transformações. Se no passado era responsabilidade apenas do gestor montar um time de alta performance, no presente a realidade é diferente. O líder é sim importante facilitador do processo, mas o mindset mudou, pois a responsabilidade por fazer acontecer é de todos os profissionais. Essa nova mentalidade é o que leva à construção de um time de autogestão, o que podemos considerar aqui como o “ideal” nesse novo mundo do trabalho, cada vez mais ágil e de uma gestão horizontal.

Para isso, é essencial levar em consideração alguns tópicos na hora de formar a sua equipe dos sonhos para o trabalho.

Autoconhecimento para o protagonismo

Investir no desenvolvimento de soft skills é hoje um diferencial na carreira do profissional. Um levantamento, da SkillSurvey, aponta que 77% dos empregadores e líderes consideram as soft skills tão importantes quanto as hard skills.

A principal base para desenvolver as habilidades não técnicas é o autoconhecimento, quando o colaborador passa a entender melhor as suas forças, os seus pontos a serem desenvolvidos e qual trajetória deve seguir. Já foi o tempo em que as empresas eram as responsáveis pela carreira do profissional. Algumas delas ainda assumem essa postura, mas a tendência é de que essa responsabilidade fique cada vez mais na mão de cada um.

Assim, o colaborador começa a entender qual deve ser o seu posicionamento, qual o papel precisa assumir e como melhor contribui para o resultado do todo, sendo o protagonista de suas escolhas. Isso leva a um impacto positivo ao fazer parte de uma equipe de maneira madura e consciente.

O líder deve ser o facilitador para o fortalecimento do autoconhecimento de sua equipe, seja através de feedbacks, de um suporte através de mentoria/coaching ou utilizando ferramentas específicas como, por exemplo, “análise swot”, proporcionando a sua equipe conhecer as suas forças, pontos a desenvolver, oportunidades e ameaças.

Assim cada um vai assumindo um papel e tarefas alinhadas ao seu perfil, de maneira a melhor contribuir com os resultados. Tarefas que um profissional ama fazer, o que leva a alta performance naquela atividade, outros detestam. E vice-versa. Há espaço para todos e quanto mais diversidade de habilidades na equipe, melhor o resultado.

Sinergia de Propósito

Cada profissional precisa conhecer o seu propósito, o que deve ser o balizador para o direcionamento e fonte para potencializar os resultados. Identificar o que dá sentido a se fazer o que se faz proporciona uma atuação com entusiasmo e brilho nos olhos.

Existem diversos caminhos para o conhecimento do propósito. Em meu livro “O Poder da Simplicidade no Mundo Ágil” tem uma ferramenta específica para isso, chamada “O Melhor de Mim”. Nela você responde a quatro perguntas simples: “o que” você tem de principais qualidades; “como” essas habilidades aparecem em seu comportamento; “para que” você coloca tudo isso em prática, ou seja, quais objetivos quer alcançar; “por que” tudo isso é importante para você.

Ao respondê-las, você identifica a sua bússola para direcionar a sua atuação, o que contribuirá para o alcance de melhor performance junto ao time. É importante que o profissional identifique os pontos em comum entre o seu propósito e o do projeto que faz parte, ou o propósito da equipe como um todo. Ao facilitar esse processo o líder contribui para fortalecer a empatia no time, gerando uma sinergia.

Diálogo como base

Estamos vivendo um momento de resgate do que é essencial, como um simples diálogo, o que ganha maior relevância em momento de pandemia. Enquanto antes as pessoas se encontravam nos corredores da empresa, no momento do cafezinho ou mesmo marcavam para almoçar juntos, agora é necessário uma iniciativa para que seja criado um espaço para o diálogo.

E essa é importante base para a construção de um time ideal. É o diferencial para deixar de ser um “grupo de pessoas que trabalham juntas” para se transformar em “um time de pessoas que interagem e constroem juntas”.

É fundamental entender que a maneira como nos comunicamos ou deixamos de nos comunicar, define a forma como vamos nos relacionar, e só é possível montar um time ideal a partir de um bom relacionamento.

Criar espaços para o diálogo é o caminho para ajudar na fluidez dos processos, para resolver conflitos e potencializar a colaboração na equipe. Lançar mão do diálogo como uma ferramenta poderosa de reconhecimento, com elogios e reforço da importância do papel de cada um para o resultado da equipe, é uma das principais formas de engajamento.

No fundo as pessoas querem se sentir valorizadas. Quando isso acontece, os resultados aparecem, pois esse é o grande “ideal individual” que potencializa o “time ideal”.

É possível montar o time ideal de trabalho?

 

Por Susanne Andrade, autora dos best-sellers “O Poder da Simplicidade no Mundo Ágil”, “O Segredo do Sucesso é Ser Humano” e do livro digital “A Magia da Simplicidade”. É coach, palestrante e professora de cursos de MBA pela FIAP em disciplinas sobre carreira, coaching, liderança e gestão da mudança para a transformação digital. É sócia-diretora da A&B Consultoria e Desenvolvimento Humano. Voluntária no Grathi – Grupo de Assistência ao Tratamento e Hospedagem Infantil.